Auto Pastoril Castelhano

Exortação da Guerra

Clérigo da Beira / Escrivães

Liberata / Templo de Apolo

Velho da Horta / Cassandra

Gil Vicente cassandra e velho da horta

Sobre o Auto da Índia

Alma / Papa Júlio II e Erasmo

Gil Vicente Auto da Alma

Visitação / Sobre as Origens

Gil Vicente, sobre as origens

Arte e Dialéctica - Íon Platão

gil vicente e plato
Stop MEE Youtube- VideoStop MEE Youtube- Video
  - Blogs:
irresiliências
o que eles escondem
Eugénio Rosa
(economista)
( Portugal, análise política )
Gil Vicente O Teatro de Gil Vicente
O Teatro de Gil Vicente
...projecto
E pera declaração
desta obra santa et cetra...,
quisera dizer quem são
as figuras que virão

por se entender bem a letra.

  ... em  Romagem dos Agravados.
Lendo o Auto da India de Gil Vicente
Ler Erasmo e Gil Vicente

As figuras
nas personagens dos Autos
- os protagonistas -
em Obras


As suas obras dramáticas,
a lista de todos os autos,
em Autos

Datação das obras, dos Autos de Gil Vicente
Gil Vicente, artista da Renascença, reinventor do Teatro
MP3 Player requires JavaScript and the latest Flash player. Get Flash here.

O Estudo da obra dramática de Gil Vicente
Apresentação O Estudo da obra dramática de Gil Vicente
This Site exposes research updated over Gil Vicente, no information will expire of old encyclopedias.
  Este Sítio expõe a investigação actualizada sobre Gil Vicente, não informação caduca de velhas enciclopédias.
Gil Vicente
...Texto de Noémio Ramos

Quando nasceu e morreu Gil Vicente?

       Sabe-se ao certo que Gil Vicente terá nascido entre 1457 e 1467 - e mais
provavelmente entre 1461 e 1467 - dado que a única obra conhecida em que o autor
se refere à sua idade é o Auto da Festa e, no momento em que apresenta a peça
(Natal de 1528), ou no tempo da acção da peça (1527-1528), o autor refere que teria
já passado dos sessenta anos. Portanto, Gil Vicente seria mais velho que o rei
Manuel I de Portugal (n.1469) em, pelo menos, dois anos.
      Sabe-se ( por Braamcamp Freire ) que foi casado com Branca Bezerra de quem
teve dois filhos, Gaspar Vicente que viu morrer (teria ido para a Índia em 1506 com
Afonso de Albuquerque, na armada de Tristão da Cunha, esteve por lá vários anos -
há notícia dele na Índia ainda em 1513 e em 1517 - e terá regressado em 1518, pois
em 1519 «Gaspar Vicente filho de Gil Vicente» está nomeado «moço da capela» na
Corte portuguesa, morreu em Lisboa vítima da peste não antes Maio de 1519*) e
Belchior Vicente de quem há várias referências documentadas, que, com a morte do
irmão, o substitui no serviço da capela real.
      Após enviuvar, Gil Vicente voltou a casar. Da segunda esposa, Melícia
Rodrigues, teve três filhos: Paula Vicente, Luís Vicente e Valéria Borges. Paula
Vicente destacou-se na Corte portuguesa e junto da infanta Maria (1521-1577), a
filha de Manuel I e Leonor de Habsburgo. Com o apoio de Paula Vicente, junto da
rainha Catarina de Habsburgo (regente do reino), Luís Vicente preparou a publicação
das obras de seu pai e terá acompanhado a impressão da Copilaçam de todalas obras
de Gil Vicente de 1562.

*Nota: entre 1518 e 1519, também vítima da peste, morreu o pintor flamengo radicado em
Portugal, Francisco Henriques, amigo e frequentador da casa de Gil Vicente (isto sabe-se pelo
testemunho de Belchior Vicente feito em Tribunal em 1540, a propósito de dívidas provenientes
dos adiantamentos pagos pelas obras deixadas incompletas pelo pintor).

      Gil Vicente terá morrido em 1536. Pois, a datação da sua última peça - sabendo-
se que foi a última - terá sido feita pelo ano da sua morte. Isto é, quem datou a peça
Floresta de Enganos (o seu filho Luís Vicente, ou Paula Vicente?), datou-a pelo ano
da morte de Gil Vicente, porque em 1561 ou 1562 (25 anos depois), não era fácil
datar aquela peça... Apenas se saberia que tinha sido a última pelo seu mythos,
sobretudo pela acção da personagem Cupido, e a peça podia (pode) ter sido feita, e
até representada, ainda em 1535.
      Há documentação de el-rei João III (Braamcamp Freire) do início de 1537
(Janeiro) nomeando Belchior Vicente para serviço da Corte, - supostamente de modo
a que o filho mais velho (ainda vivo) de Gil Vicente possa assegurar o sustento da
viúva e restante família - e muito provavelmente, como em muitos outros casos, os
serviços começam a ser prestados ainda antes da nomeação.


Quem foi Gil Vicente?
      Como demonstrou Braamcamp Freire, sabe-se que poeta e ourives (artista-
plástico) são uma e mesma pessoa, não apenas pela inexistência de qualquer
referência a duas pessoas (no meio muito restrito da Corte portuguesa, o que seria
indispensável se fosse esse o caso), nem na própria época nem nos séculos
consecutivos que se seguiram, mas também e sobretudo, porque a documentação o
comprova, pois, além da identificação pela anotação coetânea feita pelo arquivista
oficial do reino, se verifica em documentação diversa que, os filhos de Gil Vicente
citados acima (nomeadamente Belchior) são referenciados como filhos do ourives tal
como o são do poeta (dramaturgo).
      Só uma concepção mais boçal da Arte, uma tradição corrente nas universidades
portuguesas, ainda hoje, mesmo desconhecendo o que era um ourives na
Renascença, levou o romantismo ( ainda no século XX ) a separar o ourives ( "arte
mecânica" ), do poeta dramaturgo... E esta "separação" fabricada por um
romantismo serôdio, tenta sobreviver ainda hoje nestas universidades e, a partir
delas, nas instituições oficiais de promoção da cultura portuguesa (Instituto Camões,
Fundações, etc.) e assim, nas suas mais divulgadas enciclopédias, incluíndo na
Internet.

Contudo, sabemos hoje pela análise do Auto Pastoril Castelhano, onde Gil
Vicente se representa no protagonista (Gil Terrón), peça que tem por ponto de
partida a sua autobiografia ao serviço da Corte portuguesa, o seu ser: figurando-se
so­litário e inclinado à vida contemplativa, posto em ócio filosófico (Cícero),
(holgando, cantigando rato a rato) meditando sobre si próprio e na sua relação com o
mundo; num confronto com a sua consciência, e com os outros, no contexto e em
conflito com a situação política e social do país, nada que se possa confundir com a
contemplação do religioso ou do eremita. Trata-se de expressar para si próprio uma
leitura de Petrarca em De vita solitaria, para traduzir a sua situa­ção na Corte
portuguesa antes da sua primeira intervenção no Teatro, num contexto anterior ao
seu ponto zero, se considerarmos o Auto da Visitação o ponto zero. Pois, segundo
aquele sentido ético de Petrarca, num ideal profundamente humanista, a soli­dão
consiste na disciplina moral e intelectual capaz de renunciar a outras actividades,
excepto ao estudo e meditação, alimentando o espírito, melhorando o ser humano
pelo exame sereno da consciência no alcance de uma paz interior, incentivando o
saber e a criação artística: então o sábio, filósofo, ou artista, para se dedicar aos
estudos, deve retirar-se para bem longe da confusão e preocupações da vida
mundana. Deste ponto se inicia a peça, com Gil Terrón meditando e depois
confrontando a sua consciência com o resto do mundo e todas as preocupações
mundanas, culturais, sociais e políticas. Porém é só o ponto de partida, sublinha a
cousa nova.

       Ainda em Pastoril Castelhano e antes do fim da peça, o autor informa-nos das
suas actividades de mestre de cerimónias (organizador das festas e dos serões)
trovador, poeta erudito, ourives, mestre de retórica, filósofo e dramaturgo, ao serviço
da Corte portuguesa.


Obra dramática
Gil Vicente na Corte de Portugal

       De Gil Vicente sabe-se, pelas suas peças, nomeadamente Auto Pastoril
Castelhano (1502), da sua presença e serviço na Corte portuguesa desde el-rei de
João II (João domado). Mas abrangendo as obras deixadas escritas só no período
entre 1502 e 1536, ao serviço de el-rei Manuel I e, depois, de João III de Portugal.
Assim, só se sabe pelo ficou referido em 1502 (em Pastoril Castelhano), pelo que o
próprio autor (figurado em Gil Terrón) refere na peça, que teria também estado ao
serviço de el-rei João II de Portugal (1477-1495), como organizador das festas na
Corte.

      Por documentação diversa ( Braamcamp Freire ):
      Sabe-se que desde 1502 (ou antes, talvez desde o início do reinado de Manuel I,
teria estado ao serviço de Leonor, irmã do rei e viúva de el-rei João II de Portugal),
terá está ao serviço da Corte de el-rei Manuel I, e que desde a criação e construção
da Custódia de Belém (acabada em 1506) para o Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa,
logo após a apresentação pública da peça de ourivesaria com a representação em
1508 do Auto da Alma ( no final «foram adorar o muimento» ) foi também (como
criador - artista plástico) nomeado, por alvará de 15 de Fevereiro de 1509, «vedor de
todas as obras que mandamos fazer ou se fizerem, de ouro e prata, para o nosso
convento de Tomar, hospital de Todolos Santos e mosteiro de Nossa Senhora de
Belém» (o Convento da Ordem de Cristo em Tomar, o Hospital de Todos os Santos e
o Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa). Nomeado pelo rei e designado «ourives da
senhora da rainha minha irmã» Leonor (a rainha velha, a viúva de João II de
Portugal).

*Nota: O Auto da Alma (1508) foi a primeira peça (conhecida) de Gil Vicente escrita em
português, feita em confronto com Erasmo de Roterdão e com o Papa Júlio II, elaborada
como uma crítica ao livro publicado em 1503, o Enchiridion, Manual do Cavaleiro Cristão,
colocando a doutrina de Erasmo (as mais modernas ideologias promovendo a liberdade de
interpretação e expressão, todavia propondo um regresso ao cristianismo mais puro - um
regresso ao passado, às suas origens) em claro confronto (oposição) com as decisões do Papa
Júlio II (a personagem ALMA na peça), pela riqueza e majestade imperial na construção da
nova (muito moderna, renascentista) Basílica de São Pedro de Roma (1506), (a hospedaria
para as almas) sublinhado o confronto com os fundamentos da Igreja (os doutores como
pilares da Igreja - com as relíquias para a nova Basílica - e a Parábola do bom samaritano),
ao mesmo tempo que silencia os novos teólogos (para Erasmo: Tomás de Aquino) e, depois,
manifestando esses confrontos com os preceitos das cerimónias medievais da adoração das
relíquias  a par do espectáculo Renascentista  (música, cor, coreografia, etc.) e das formas
exteriores do culto.
     Algumas das peças de Gil Vicente acompanham, sempre a par e passo, as obras que
(Desiderius=Cupido, Erasmus=ser amado, Amor) Erasmo vai publicando, das quais se destacam,
além do já referido Auto da Alma em 1508, o Auto de Sibila Cassandra (Elogio da Loucura)
em 1511, Frágua do Amor (Sobre o Livre arbítrio) em 1525, Nau de Amores
(Hyperaspistes) em 1527, Jubileu de Amores (?) em 1531 - uma das peças desaparecidas,
destruída pela Santa Inquisição...
     Gil Vicente figurando o percurso Erasmo (Desiderius Erasmus) pelas obras publicadas, dirá
na sua última peça em 1536, em Floresta de Enganos, pelas palavras do Mercador, referindo-
se ao amor natural que Erasmo (Cupido) tinha por estar sempre na Graça dos Céus (com
Grata Célia) e às consequências graves indirectamente "provocadas" pela sua doutrina (o ovo
que Lutero chocou ), pelo sangue derramado no século XVI:

        Vamo-nos, que vem Cupido
          cometer o mor engano         (260)
          que nunca foi cometido.

          Em o qual,
          mostra o amor natural
          que a Grata Célia tem,
          porém, vereis que do bem     (265)
          às vezes se segue o mal.

     (O texto desta anotação constitui um resumo da nossa publicação sobre o Auto da Alma, em
Julho de 2008, evocando os 500 anos da peça: «O Auto da Alma de Gil Vicente, Erasmo, o
Enquiridion e o Papa Júlio II...»).
     Todavia, apesar da clarividência esclarecedora desta publicação, bem divulgada em meados
de 2008, o Teatro Nacional de São João do Porto, com o beneplácito de especialistas das
universidades do Porto e de Coimbra, e da diocese do Porto, dignamente representada pela
sumidade académica (membro da Academia das Ciências de Lisboa) do seu Bispo, ainda em
Abril de 2012 apresentava ao seu público uma "representação" da peça o "Auto da Alma",
naquela forma "reescrita" e imposta pela Inquisição do século XVI, de que o romantismo serôdio
continua a servir-se. E, como se não fosse o suficiente, promovendo colóquios ("mesas
redondas") onde peroraram aqueles mesmos "especialistas", impondo as concepções que a Santa
Inquisição pretendeu impôr ao teatro do Mestre de retórica da Corte portuguesa, sublinhando
aquilo que consideram ser o carácter religioso das obras de Gil Vicente.

      Além da Custódia de Belém, conhecem-se outras peças de ourivesaria feitas por
Gil Vicente e está ainda documentada a existência de outras mais.
      Em 1512, na sequência da apresentação da peça de homenagem ao Papa Júlio II,
ao Museu do Vaticano - o Hortulus ou Viridarium, o jardim das estátuas - e à Obra
de Miguel Ângelo, tendo por suporte a poesia e o incentivar dos poetas da Corte
portuguesa (a propósito da publicação em 1511 do Cancionero General de Hernando
del Castillo) O Velho da Horta  representada em 1 de Novembro de 1512, no dia
exacto da inauguração da pintura da abobada da Capela Sistina, logo em 21
Dezembro de 1512, Gil Vicente foi eleito representante dos mesteres
(tradicionalmente diz-se como ourives) da Casa dos Vinte-e-quatro. E, de seguida,
eleito por estes para procurador dos mesteres junto da Câmara de Lisboa.

*Nota: Na sequência da representação da peça O Velho da Horta, que reuniu muitos (12) dos
poetas da Corte portuguesa e das suas musas (12 damas da Corte) como figurantes na acção
da peça, que também evoca na acção alguns poemas do Cancionero General  de Hernando
del Castillo (1511) e, em especial, o poema Cativo de mia tristura de Mancias (Macias), como
demonstrámos na nossa análise da peça, trabalho publicado em Julho de 2010, foram reunidas
muitas das obras dos poetas e depois publicadas em 1516 no Cancioneiro Geral, por Garcia de
Resende.

       Em 4 de Fevereiro de 1513 foi nomeado Mestre da Balança ( Casa da Moeda ),
«durante a menoridade do filho do proprietário do ofício» (falecido), cargo que
largou em 1517. Na primeira parte do Auto das Barcas, em Barca do Inferno (1517-
1518), Gil Vicente faz uma referência muito elogiosa a Garcia Moniz, seu superior no
ofício de Mestre da Balança, o tesoureiro de facto "demissionário" da Casa da
Moeda, sensivelmente ao tempo em que o dramaturgo vende o ofício de Mestre da
Balança.
      Supõe-se que, a partir de 1518 Gil Vicente, se dedica quase exclusivamente à
actividade de Mestre das Cerimónias da Corte (Mestre de Retórica das
representações = apresentações), ao Teatro e suas criações (concepção, escrita,
encenação, cenografia, som - música - figurinos, etc.), por não se encontrarem mais
referências a outras actividades. Contudo, no reinado de el-rei João III, em 1531, há
uma excepção (não se sabe se foi um caso único), quando Gil Vicente realiza uma
diligência ao serviço do rei, em Santarém ( Carta de Santarém ) com o objectivo de
acalmar uma revolta das "populações" contra os cristãos-novos, iniciada logo após o
terramoto de Lisboa-Santarém de 1531.

      Gil Vicente refere-se à sua obra dramática classificando-a de Comédias (que na
época inclui as Tragédias), Farsas e Moralidades, mas estas últimas para referir a
Crítica política e social.
      Gil Vicente trabalhou sempre para a Corte portuguesa, nunca trabalhou nem
esteve ao serviço da Igreja. Nunca escreveu ao serviço de qualquer corrente
religiosa, fosse cristã (que na época eram várias) ou outra. E isto é muito importante
para interpretar o sentido da sua obra.
      Sobre o "platonismo" atribuído a Gil Vicente, ou o conhecimento que o
dramaturgo possuía das obras de Platão, já nos pronunciámos em Gil Vicente e
Platão, Arte e Dialéctica, O Íon de Platão e, mais resumidamente, quando nos
referimos à Carta de Santarém de 1531... Pois, sobre a religião ou as doutrinas
religiosas, Gil Vicente é bem explicito no seu discurso aos clérigos (padres, monges e
frades) e um nosso estudo sobre este assunto pode ser descarregado deste sítio,
Estudo sobre a Carta de Santarém de 1531 (aqui encontra o texto completo do livro
com o nosso estudo).
 
      Assim, a obra dramática, escrita, apresentada e representada por Gil Vicente na
Corte portuguesa, decorre entre 1502 e 1536, e tem início com o Auto da Visitação
em 1502. De obras anteriores, não há registos nem textos, e desconhece-se qualquer
referência.

      Por indicação de el-rei João III de Portugal, Gil Vicente diz ter preparado toda a
sua obra para ser publicada, o que ficou referido na Carta Preâmbulo (publicada em
1562 na Copilaçam) dirigida ao rei, mas desconhece-se por completo se o chegou a
fazer... Contudo, se o fez, e nós acreditamos que o fez, porque assim o afirma o autor
- Gil Vicente, - essa recolha, a primeira recolha, organizada pelo próprio autor, terá
desaparecido por completo (talvez pela intervenção dos primeiros responsáveis pela
Santa Inquisição, logo em 1536), como se perderam outras referências documentais
e, sobre o assunto apenas nos ficou a Carta Preâmbulo.
      Gil Vicente terá também deixado a representação de uma lápide (um frontispício
de sepultura) com alguns versos escritos, tomada na Copilaçam de 1562 como um
Epitáfio - Sepultura de Gil Vicente - para constar na publicação das obras como
frontispício, abrindo ( na Copilaçam fechando ) o Livro das Obras, o que em
conjunção com o testemunho constante da Carta Preâmbulo, pode querer confirmar a
existência de uma organização da obra completa, pelo seu autor ainda em vida, do
que a Copilaçam de 1562 não pode ser de modo nenhum uma cópia, pois além de
obedecer a uma classificação feita à revelia das ideias e do pensamento do autor,
apresenta a grande maioria das obras do Mestre de retórica «ferida de línguas
danosas»..., danificadas, muitas delas com cortes profundos da Censura da Santa
Inquisição.

      São conhecidas algumas publicações avulsas das peças de Gil Vicente, que terão
sido realizadas pelo menos a partir de 1518 (Barca do Inferno, primeira parte do
Auto das Barcas). Conhecem-se algumas outras, e há diversas referências de mais
peças publicadas avulso após a sua morte, e isto sabe-se pelas listagens de livros
proibidos pela Santa Inquisição.
     Hoje sabemos que muitas (contámos 14) das peças publicadas como de autor
anónimo, muitos anos mais tarde, são peças de Gil Vicente que não ficaram na
recolha de 1562, nem na de 1586. E tal como se sabe, porque ficou escrito naquela
publicação, por Luís Vicente, que muitas peças ficaram fora da Copilaçam por ele
organizada em 1562, 25 anos após a morte do autor. E estas são em maior número
que aquelas peças que sabemos terem sido proíbidas por completo pela Santa
Inquisição, constantes no Rol dos livros defesos de 1551: Vida do Paço e Aderência
do Paço, estas duas de datas desconhecidas e Jubileu de Amores de 1531,  Todavia,
nós acreditamos que estarão ainda desaparecidas, além das referidas publicadas
como anónimas e das três citadas, pelo menos, mais sete ou oito peças.

*Nota: A peça designada como Auto da Aderência do Paço, nas listas da Santa Inquisição,
tivemos ocasião de datar perfeitamente e identificar como o Auto de Florisbel publicado como
de autor anónimo. A sua análise espera publicação.
     A peça Jubileu de Amores, como já afirmámos, não se pode identificar com o Auto da
Lusitânia, nem com qualquer outra peça conhecida de Gil Vicente, como já o fizeram alguns
autores, pela simples razão de o Jubileu figurar algo sucedido entre 1529 e 1531 relacionado
com a obra e ou a vida de Erasmo de Roterdão, o que não é o caso de Lusitânia nem de
nenhuma das peças de teatro conhecidas.
    Sabemos da representação da peça Jubileu de Amores em Bruxelas em Dezembro de 1531,
e do enorme sucesso da peça por André de Resende, como o sabemos pelas criticas feroses do
Cardeal Girolamo Aleandro, na resumida descrição que dela faz ao Papa (uma crítica a Roma e
à Igreja, ou à religião?), mas também afirmando que: Et era tanto il riso di tutti, che perea
tutto il mondo jubilasse


Sobre os textos da Obra dramática de Gil Vicente

     De um modo geral, podemos afirmar que nunca se realizou uma abordagem
efectiva da obra teatral de Gil Vicente. Nunca se estudou seriamente o seu teatro
(cada um dos dramas - a obra dramática). Enquanto que sobre o texto das obras de
Gil Vicente se têm realizado diversos estudos desde há mais de século e meio.
     Por vezes encontramos abordagens do texto das obras numa perspectiva de "obra
literária", contudo, quase sempre o texto é lido de modo muito raso, literalmente, de
modo que é pela (fonologia) lírica dos textos, que alguns estudos se têm destacado, e
é quase sempre neste contexto que as obras são consideradas e avaliadas. Mas, a
mais das vezes, os estudos dos textos das obras, aqueles que maior valia apresentam,
situam-se apenas na área da filologia, muito embora alguns destes estudos (autores)
queiram ultrapassar a parte muito restrita que a esta disciplina diz respeito, e
tenham a pretensão de se apresentar como globalizantes (tomando a parte pelo todo)
na análise da obra de Arte dramática.
     De resto a maioria das publicações sobre os textos do teatro de Gil Vicente,
pretendendo "estudar" o teatro, de um modo geral não passam de "aplicações"
(transferidas) de "teorias" algumas vezes estranhas ao próprio teatro, mas
sobretudo deslocadas do seu objecto de estudo... Lendo (vendo) nas obras de Gil
Vicente os "mistérios franceses", ou o "desfile litúrgico", etc., e mais recentemente,
ou melhor, hoje talvez mais em moda: o "Carnaval" de Bakhtine, ou a "iconografia"
de Panofsky; um verdadeiro mundo às avessas da realidade do teatro do dramaturgo.

     Cientes que em Portugal não teremos oportunidade de estudar o teatro de Gil
Vicente, dado que não dispomos do enquadramento nem dos meios necessários para
o fazer, e neste país reflexo de uma população inculta e sem instrução, sempre
governado por gente medíocre e de mente provinciana, que sempre faz questão em
impedir o desenvolvimento social e cultural da população, aqueles que dispõem dos
meios e do suporte indispensável - como um reflexo do Poder, assim as instituições, -
não têm nem o saber nem o saber-fazer necessário (nem sequer o gosto ou a vontade)
para desenvolver o conhecimento sobre a Arte dramática do Mestre de retórica das
representações entre 1502 e 1536..., assim nos vemos limitados a desenvolver os
nossos estudos num campo de veras mais restrito, sabendo que a nossa investigação,
tem de (que) se limitar também, como outros estudos anteriores, aos textos das obras
de Gil Vicente. Contudo tivemos e teremos sempre em vista que o nosso objecto de
estudo é sobretudo a obra de Arte dramática, de que os textos em causa constituem
apenas uma das inúmeras partes (os diálogos das peças de teatro). E assim, é apenas
nesta perspectiva de investigação da Arte, da Obra dramática, que estamos a
desenvolver a análise das obras de Gil Vicente, e aqueles trabalhos que concluímos
aqui os temos apresentado, muito embora a maioria só parcialmente, pois esperamos
que o leitor mais interessado queira adquirir os trabalhos entretanto publicados,
contribuindo assim para manter este sítio e a continuidade da nossa investigação.

*Nota: Apresentamos trabalhos de análise completa de algumas obras, livros em formato PDF
que podem ser descarregados deste sítio, na página de downloads. Estas ofertas iniciaram-se
com a peça que o dramaturgo escreve a propósito das revoltas e guerra dos camponeses da
Alemanha em 1525, figurando os acontecimentos sucedidos entre 1524 e 1526, trata-se de: «
Gil Vicente, Tragédia de Liberata - Do Templo de Apolo à Divisa de Coimbra ». Nele
apresentamos a análise da peça conhecida como Comédia sobre a divisa da cidade de
Coimbra, e ainda uma primeira abordagem da peça O Templo de Apolo. Seguiram-se muitos
outros trabalhos, publicações em livro digital (formato PDF) que se oferecem gratuitamente.

      No desenvolvimento da nossa investigação tivemos sempre em consideração,
antes de qualquer outra coisa, os textos das obras por si próprias (pela acção
dramática). Depois, o universo político, económico e socio-cultural (ideológico,
filosófico, científico, artístico, literário, etc.) do exacto tempo histórico em que as
obras foram criadas e representadas. No percurso da investigação tivemos sempre
que considerar, além destas perspectivas, que constituem directivas para o nosso
projecto, outras mais diversas que a análise dos textos da obra dramática de Gil
Vicente nos impunha a cada momento, entre as quais salientamos:

     (a) Uma perspectiva, também muito importante, foi ter em consideração que Gil
Vicente sempre esteve ao serviço da Corte portuguesa, gozando sempre de grande
liberdade e de maior protecção (muito semelhante às liberdades e protecção dada
aos tradicionais bobos da Corte na época medieval), e nunca esteve ao serviço de
qualquer Igreja ou religião e, considerando a Carta Preâmbulo e a Carta de
Santarém (os textos mais objectivos, porque escritos em prosa), o autor sabia que a
sua Obra (na sua escrita, nos seus textos) poderia vir a ser «ferida de línguas
danosas» por parte do Clero (da Inquisição, Dinato e Berzabu), que incapazes de ler
as obras (a acção dramática) as tentariam modificar (e suprimir os versos vistos
como incómodos) tentando colocar os textos das obras  ao seu serviço (da religião e
da Igreja), e não o conseguindo, destruindo os textos originais.
      Nesta perspectiva foi necessário estudar as formas dos textos das obras muito
atentamente, como exemplificámos em «Gil Vicente, Auto da Visitação, Sobre as
origens», os versos (sua métrica), as estrofes e os seus enlaces (coplas = estrofes
emparelhadas), bem como outros agrupamentos e encadeamentos de estrofes e ou de
coplas, e isto em todas as peças, de modo a detectar e confirmar (pelo sentido do
texto e da acção dramática) os cortes, danos provocados e outras "alterações em
favor da religião" introduzidas pela Santa Inquisição.

*Nota: Como o que se tem verificado até agora, nomeadamente como já referimos, ainda em
Abril de 2012, no Porto, esteve em "representação" durante mais de um mês uma destruição
dramática do "Auto da Alma", numa apresentação «ferida de línguas danosas», imposta pelos
clérigos (Dinato e Berzabu) com o apoio de consideraods "especialistas" das universidades do
Porto e de Coimbra, e do ilustre Bispo do diocese do Porto, membro da Academia das Ciências
de Lisboa, atitudes que não dignificam esta e aquelas instituições. Tais "acções culturais"
pretendem manter aquela leitura imposta pela Santa Inquisição, e ao mesmo tempo, contribuem
para estender muito além do seu tempo o trabalho da Santa Inquisição, e mais com a
"perseguição" na Internet a leituras mais correctas das obras de Gil Vicente.

      Os cortes, danos e as "alterações", por vezes difíceis de detectar, conjugam-se
com muitas outras intervenções bem explicitas em obras avulso, como nas obras
impressas na Copilaçam de 1562 e, em 1586 os danos são ainda maiores. Nos casos
em que se verificou alguma condescendência dos censores de 1562, em relação a
orientações anteriores sobre publicações avulsas, mais nos quer parecer que apenas
nos pretenderam dar a impressão que os "revisores" não provocaram danos, como
no Auto da Fé, ou no caso da paródia às matinas em Clérigo da Beira, ou das rezas
da sexta e da nona, «e depois todas as horas... » no Auto da Lusitânia pelas figuras
dos clérigos da Inquisição: Dinato e Berzabu.

      (b) Uma outra perspectiva diz respeito à concepção romântica da obra de Gil
Vicente, isto é, ao considerado medievalismo (ou ao seu fim) e ao "discurso litúrgico"
(ou ao carácter religioso das peças) que muita gente ainda pretende "ler" nas obras.
As concepções que ainda (ainda hoje, em 2012) predominam nas academias
portuguesas.
      Redescoberta em 1834 com a publicação de Hamburgo, os estudiosos lançam-se
sobre o "ensaio" que serve de prefácio às obras e, de um modo geral, o saber
académico institucionaliza essa leitura fantasiosa de Gil Vicente, não sem que se
produzam críticas e se publiquem centenas de artigos que, mais ponto menos ponto,
vão solidificando uma criação romântica do dramaturgo como poeta lírico e medieval,
em verdade um pouco diferente do original de 1834 mas não muito longe. Entre o fim
do século XIX e início do XX ficou então definida uma figura medieval atribuída a Gil
Vicente (uma falsa figura do autor dramático) que se impõe sobretudo com Teófilo
Braga servindo de referência à maioria dos estudiosos da literatura e do teatro
português durante mais de meio século.
     Neste contexto, do autor medieval ou no seu fim, criaram-se algumas descrições
de "personagens tipo" lidas nas formas aparentes (na maioria das vezes apenas na
designação da actividade da personagem no contexto da acção da peça) das figuras
criadas por Gil Vicente em diferentes peças de teatro, sem que tenha havido uma
análise do carácter bem diferente dessas personagens de figuras dispares de peça
para peça. Por exemplo, a alcoviteira de Inferno tem um carácter distinto da
alcoviteira de Rubena, ou da alcoviteira do Velho da Horta, etc..

*Nota: Destacámos já em «Gil Vicente, o Velho da Horta, de Sibila Cassandra à
"Tragédia da Sepultura"», que a Alcoviteira constitui nesta peça uma figuração da Miguel
Ângelo, que na acção dramática procura unir (casar) o Velho (Papa Júlio II) com a Moça (a
jovem Arte do escultor, a sepultura encomendada pelo Papa) no seu amor cortês, isto é, na
morte, tal como Mancias (e em seu desafio) na sua Sepultura, tarefa que o escultor não concluiu
em vida do Papa... Evidentemente que a Alcoviteira noutras peças nada tem a ver com Miguel
Ângelo.

     É já na segunda metade do século XX, e depois mais para o final deste século, que
se começa a pôr em causa a criação romântica do homem autor - Gil Vicente - e da
sua obra... Todavia, sem que nunca seja desmontada a tradição romântica, sem nunca
se apresentar uma outra figura que substitua a criação do revivalismo medieval do
romantismo. Assim, o que mais prevalece ainda hoje nas academias (universidades) é
uma continuidade instituída, sobretudo visível pelo seguidismo das leituras
produzidas por alguns autores (que criaram renome) em várias publicações (muito
reeditadas) que mais dão continuidade ao "ensaio" de 1834, e que em verdade lhe
acrescentam "palha", mas se mostram incapazes de uma verdadeira análise das
obras, do autor dramático, do meio socio-cultural envolvente e da época (1465-1536).
     Nesta perspectiva alguns autores tentaram (e tentam) apresentar uma leitura
global das obras de Gil Vicente, com poucas preocupações por uma análise de facto
do texto e de cada uma das peças, mas sempre mais preocupados com tudo o que
possa ser encontrado em elementos que, no seu entender, atravessam conjuntos de
peças, fixando-se na classificação que divide em cinco livros o conjunto das peças da
Copilaçam ou em algum outro tipo de "classificação" das obras entretanto criado por
algum autor mais convencido do seu saber e mais decidido em o afirmar. Em geral
também se fixam naquilo que podemos considerar como "particularidades
transversais" (lírica dos versos, usos, vestes ou figurinos, "ícones" ou esteriotipos,
linguagens, sequências de entrada das personagens na acção, etc.) suportadas por
"estudos académicos de referência" que lhes servem de "fundamento", que
replicam derivando daí as suas "conclusões".
     Convém sublinhar que são ainda estas últimas as perspectivas (sempre com a
concepção romântica do revivalismo medieval tomada como base e fundamento) que
se divulgam "oficialmente" pelas instituições académicas de Portugal, e que, na
Internet (onde até se apresentam como verdadeiros, falsos "retratos", para além de
uma enormidade de "invenções" sobre a vida e obras de Gil Vicente) continuam a
ter absoluta prioridade, por falta de informação, de formação e até de capacidade
crítica dos "responsáveis" pelos vários destes sectores culturais que referimos.

*Nota: O Teatro Nacional de D. Maria II, projectado em 1836, foi inaugurado em 1846 e, no alto
do frontão da porta principal, ponto mais alto da construção, foi colocada uma estátua (que
apresentamos no final, sobre o pé da página) evocando a figura do dramaturgo, Gil Vicente,
considerado o criador do Teatro português (e até espanhol)... Constitui a figura mais antiga do
poeta dramaturgo e, não se conhecendo qualquer imagem da face ou do corpo de Gil Vicente,
utilizamos, para o representar, a figura dessa estátua. Outras "imagens" criadas mais
recentemente apenas pretendem festejar os seus autores, não o poeta.

     (c) E ainda uma perspectiva importante, respeitando os estudos mais sérios
produzidos no século XX sobre as Obras de Gil Vicente.
     Primeiro, a partir da publicação das obras orientada por Osório Mateus, pela
Quimera-editora. Depois a partir das publicações (actas, comunicações) dos dois
encontros sobre Gil Vicente e a sua Obra, o de 1988 (pub.1992) «Temas Vicentinos,
Actas do Colóquio em torno da obra de Gil Vicente», e o de 2002, «Gil Vicente 500
anos depois». Depois ainda, a partir das bibliografias apresentadas nas edições da
Quimera e nos encontros (Congressos), a selecção dos trabalhos (e autores) a
estudar, traçando uma bibliografia orientada para a direcção dada ao nosso projecto
de investigação.
     Para o desenvolvimento da investigação seguimos as obras de Gil Vicente,
publicadas e de acesso livre na Biblioteca Nacional de Portugal, nomeadamente
através da Internet em http://purl.pt/252/1/ , assim como muitas outras publicações da
época e sobre as obras do autor dramático.
     De salientar também os cinco volumes sobre «As obras de Gil Vicente»
publicados pela INCM em colaboração com o Centro de Estudos de Teatro da
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em especial o quinto volume com a
recolha de letras de canções e outros dados importantes para o estudo das obras de
Gil Vicente.


Faro, 10 de Setembro de 2012.
Texto revisto em 12 de Março de 2014.  
Noémio Ramos













-
 
      Na sua História da Europa, Gil Vicente, Artista, dramaturgo, poeta, filósofo e Mestre de retórica, com a Retórica e a Poética de Aristóteles, e o pensamento de Platão, bem assimilados e estruturados, oferece-nos a sua Visão do Mundo, colocando-se muito acima de todos e de todos os acontecimentos do seu tempo, oferecendo-nos a sua época numa grande panorâmica.

Noémio Ramos, 2008.
procure seguir os links

(c) 2008 - Sítio dedicado ao Teatro de Gil Vicente - actualizado com o progresso nas investigações.

- Livros publicados no âmbito desta investigação, da autoria de Noémio Ramos:

978-989-977497-1 - Gil Vicente, Auto Pastoril Castelhano, A autobiografia em 1502.
978-989-977496-4 - Gil Vicente, Exortação da Guerra, da Fama ao Inferno.
978-989-977490-2 - Gil Vicente, Tragédia de Liberata, do Templo de Apolo à Divisa de Coimbra.
978-972-990009-9 - Gil Vicente, O Clérigo da Beira, o povo espoliado - em pelota.
978-972-990008-2 - Gil Vicente, Carta de Santarém, 1531 - Sobre o Auto da Índia.
978-972-990007-5 - Gil Vicente, o Velho da Horta, de Sibila Cassandra à "Tragédia da Sepultura".
978-972-990006-8 - Gil Vicente, Auto da Visitação. Sobre as origens.
978-972-990005-1 - Gil Vicente e Platão - Arte e Dialéctica, Íon de Platão.
978-989-977494-0 - Gil Vicente, Auto da Alma, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II... 
(2ª Edição)
978-972-990004-4 - Auto da Alma de Gil Vicente, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II...

- Outras publicações:
978-972-990000-6 - Francês - Português, Dicionário do Tradutor. - Maria José Santos e A. Soares.
978-972-990002-3 - Os Maios de Olhão e o Auto da Lusitânia de Gil Vicente. - Noémio Ramos.



GrammarNet
 
Renascença e Reforma - líderes políticos e ideólogos - ideologia e História da Europa
Mapa do Sítio
© Noémio Ramos
Como encenar...
Índice do Sítio
Lyrics in English
downloads
Livros Completos