O Estudo da obra dramática de Gil Vicente
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If you want the latest information, the result of a deep historical and artistic research, prepare yourself for this site to read complex texts on works of Gil Vicente which is presented as a philosopher and a fatuous (moron) said...
NOTE: This site is about Gil Vicente, the Portuguese playwright, artist of the Renaissance, goldsmith (creator of the famous monstrance of Belém), poet, and master of rhetoric of King Manuel I.
Este Sítio expõe a investigação actualizada sobre Gil Vicente, não informação caduca de velhas enciclopédias.
Se pretende a informação actualizada, fruto de uma profunda pesquisa histórica e investigção em Arte, prepare-se para ler neste sítio algo mais complexo sobre as obras de Gil Vicente onde se apresenta como um filósofo e um parvo falando...
O nosso trabalho incide sobre
o Teatro de Gil Vicente
e o seu verdadeiro significado, na sua época
e no nosso tempo
- Sem ficção da nossa parte -
Descrição analitica da peça
Auto dos Escrivães do Pelourinho
(Feira da Ladra)
...confirmando o que já dissemos em 2008,
demonstra-se que:
na certeza de uma peça de Gil Vicente
de 1527.
Sobre a mythologia de Gil Vicente
figuras e conceitos.
Sobre a Saga da Feira
...as peças incluídas na saga
e sua cronologia...1523 a 1529
...brevemente
as nossas publicações
em edição ebook
Na sua História da Europa, Gil Vicente, Artista, dramaturgo, poeta, filósofo e Mestre de retórica, com a Retórica e a Poética de Aristóteles, e o pensamento de Platão, bem assimilados e estruturados, oferece-nos a sua Visão do Mundo, colocando-se muito acima de todos e de todos os acontecimentos do seu tempo, oferecendo-nos a sua época numa grande panorâmica.
Noémio Ramos, 2008.
Sem uma razoável compreensão das obras de Platão, pelos especialistas
de hoje ainda consideradas muito herméticas, não será possível avançarmos na
teoria da Arte, no esclarecimento dos processos criativos do pensamento,
numa exposição mais clara de um pensamento figurativo. Contudo, Gil Vicente
compreendeu bem o filósofo grego, pois, assim como o filósofo construiu o seu
discurso pela Arte do drama, construindo em cada diálogo, uma acção
dramática, baseada na História, com a definição de lugar e tempo da acção,
assim também o fez o dramaturgo da Corte portuguesa, e assim seguiu a regra
de ouro de Platão nas suas obras:
... dispondo e ordenando em conformidade o seu discurso,
oferecendo à alma complexa discursos complexos e com toda a
espécie de harmonias, e simples à alma simples.
E é por isso que as obras de Gil Vicente, como as de Platão, são de
extrema importância para a teoria da Arte nos seus fundamentos.
Contudo, antes de se avançar numa teoria da Arte é necessário e
indispensável conhecer e compreender as obras de Arte, e ir mais além da
forma aparente (das sombras) de uma obra de Arte. Este tem sido o objectivo
do nosso trabalho.
Devemos referir-nos ao banqueiro - o sapateiro - nas obras
de Gil Vicente, apesar de em Clérigo da Beira ele ser apenas um
figurante, a nossa informação ficaria incompleta se a ele não nos
referíssemos. Devemos sublinhar que o costume deste epíteto
permanece por todo o século XVI na literatura portuguesa, o sapateiro é
o banqueiro. Aliás o banqueiro, além do epíteto de sapateiro, por vezes
recebe de Gil Vicente ainda outros atributos que servem para especificar
a que banqueiro se está a referir em determinada peça, como por
exemplo, o Calçado do Juiz da Beira: Vem um sapateiro cristão-novo,
do calçado velho… Também em Inferno (Auto da Barcas), o Sapateiro
é sem dúvida nenhuma um banqueiro que carrega sempre consigo as
formas de cunhar moeda.
O suporte para o cognome de sapateiro encontra-se no uso
generalizado naquela época do termo cabedal, como o conceito bem
formado, do que hoje conhecemos por capital (no sentido financeiro) e,
como sabemos, a etimologia das duas palavras é exactamente a mesma,
do latim capitale, relativo à cabeça, principal… O uso da palavra cabedal
com o significado exacto de capital financeiro está documentado em
várias cartas e outros documentos de el-rei Manuel I de Portugal
(conforme surge no exemplo da anotação anterior), e nas obras de João
de Barros desde o Clarimundo às Décadas da Ásia e à Gramática.
NOTAS: Cabedal
Entre muitos outros exemplos, transcrevemos este, bastante significativo: Em carta de el-rei D. Manuel, escrita na vila de Santarém em 8 de Fevereiro de l506, o rei faz mercê a Cromberger, impressor de livros: “ ...E querendo lhe fazer graça e mercê temos por bem que o dito Yacobo Cromberger e todos os outros imprimidores de livros que nos ditos nossos Reinos e Senhorios actualmente usarem a dita Arte de impressão tenham e hajam aquelas mesmas graças privilégios liberdades e honras que hão e devem haver os cavaleiros de nossa casa por nós confirmados, posto que não tenham cavalos nem armas segundo ordenança. E que por tais sejam tidos e havidos em toda parte, com tal entendimento que os ditos imprimidores que ora são e pelo tempo forem em estes Reinos e Senhorios que do dito privilégio houverem de gozar tenham de cabedal duas mil dobras de ouro. E mais que sejam cristãos velhos sem (...) suspeita do alguma heresia nem tenham incorrido em infâmia nem em crime de lesa majestade. E doutra maneira não... ” Lembramos que a actual pronúncia brasileira está mais próxima do século xvi que a portuguesa.
A palavra cabedal conserva ainda os significados que a vida e a história atribui: uma acumulação de coisas de valor, bens, haveres, fazenda, riqueza, dinheiro, capital. Noutro sentido, a formação moral e intelectual adquirida por estudo ou experiência. Assim, não resistimos a lembrar um trecho da Gramática de João de Barros, no Diálogo em louvor da nossa linguagem com as conotações dadas ao termo cabedal (o dinheiro não gasto - os danos na pele e na formação):
…Uma das coisas menos olhada que há nestes reinos, é consentir em todas as nobres vilas e cidades, qualquer idiota e não aprovado em costumes de bom viver, pôr escola de ensinar meninos. E um sapateiro que é o mais baixo ofício dos mecânicos: não põe tenda sem ser examinado. E este, todo o mal que faz, é danar a sua pele [o cabedal], e não o cabedal alheio [o dinheiro, maus sapatos ninguém os compra], e maus mestres deixam os discípulos [sem o cabedal formação, pois danam o cabedal] danados: para toda sua vida.


Também em Castela o epíteto de Zapatero estava divulgado,
mesmo entre os cronistas do reino.
Por morte de Isabel de Castela em 1504, ascende ao trono de Castela Felipe o Belo, pelo casamento com Joana de Castela (a louca),
- os pais do imperador Carlos V -
e quando Felipe chega a Espanha escreve o Cronista:
"...no queda zapatero en la corte
que no escriba para ofrecerse a Don Felipe..."