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Sobre o Auto da Índia

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Gil Vicente Auto da Alma

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Gil Vicente, sobre as origens

Arte e Dialéctica - Íon Platão

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O Teatro de Gil Vicente
E pera declaração
desta obra santa et cetra...,
quisera dizer quem são
as figuras que virão

por se entender bem a letra.

  ... em  Romagem dos Agravados.
Lendo o Auto da India de Gil Vicente
Ler Erasmo e Gil Vicente

As figuras
nas personagens dos Autos
- os protagonistas -
em Obras


As suas obras dramáticas,
a lista de todos os autos,
em Autos

Datação das obras, dos Autos de Gil Vicente
Gil Vicente, artista da Renascença, reinventor do Teatro
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Sobre os Autos: Coplilaçam...

Alma
Almocreves
Amadis de Gaula
Barcas, I parte - Inferno
            II parte - Purgatório
           III parte - Glória
Breve Sumário da História de Deus
Cananeia
Ciganas
Clérigo da Beira, Pedreanes
Cortes de Júpiter
Diálogo (...) sobre a Ressurreição
Dom Duardos (versão 1)
Dom Duardos (versão 2)
Escudeiro Pobre, Quem tem farelos
Exortação da Guerra
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Feira
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Destruídos pelo Poder, Inquisição

Aderência do Paço,* Dom Florisbel
Vida do Paço 
(perdido)
Jubileu de Amores 
(perdido)
    (*) Identificado por Noémio Ramos,
          como o Auto de Dom Florisbel.


Outros: Anónimos e...
(publicados tardiamente)

Capelas
Caseiro de Alvalade
Cativos ?, ou Dom Luís e dos Turcos
Dom André
Dom Fernando
Dom Florisbel, Aderência do Paço*
Donzela da Torre
Enanos
Escrivães do Pelourinho
Escudeiro Surdo
Farsa Penada
Florença
Regateiras de Lisboa
Sátiros
Tragédia de Eneias e de la Reyna Dido
Vicenteanes Joeira

Observações sobre o teatro ou os Autos de Gil Vicente
Abril de 2010. Texto de Noémio Ramos


      Gil Vicente criou todas as suas peças estando sempre ao serviço e para prazer da Corte portuguesa, para um dos públicos mais cultos da Europa dos primeiros anos de quinhentos, o seu teatro não se pode confundir com teatro popular, nem o seu teatro se pode entender como teatro religioso, pois o autor nunca esteve ao serviço da religião nem da Igreja, e nem nenhuma das suas obras se pode considerar como uma obra de devoção. Como o próprio autor diz na carta preâmbulo a el-rei João III de Portugal, Vossa Alteza haveria respeito a serem muitas delas de devoção, e a serviço de Deus endereçadas, e não quis que se perdessem, como quer que cousa virtuosa por pequena que seja não lhe fica por fazer...
       Em suma, era o rei que considerava as peças de teatro de Gil Vicente como obras de devoção e ao serviço de Deus endereçadas, não o seu autor.
      Sobre os autos de natal realizámos uma leitura um pouco mais atenta que o comum e, publicámos uma primeira análise do Auto de Sibila Cassandra (natal de 1511), juntamente com o nosso estudo sobre o Auto do Velho da Horta, que está na sequência de Cassandra na sua figurada História da Europa, e também uma listagem de todos os autos de Natal, assim como outros com temas que numa primeira leitura (pela nossa alma - mentalidade - mais simples) aparentam religiosidade, como o Auto da Alma, pelo que remetemos o leitor para as respectivas páginas.
       Sobre a prosa conhecida de Gil Vicente, o Preâmbulo que referimos, e a Carta de Santarém (1531) a el-rei João III de Portugal - não se conhecem outros documentos em prosa (própriamente dita) do autor dos autos - já evidenciámos, pela sua leitura que fizemos, que o seu autor (Gil Vicente) como no discurso retórico aos clérigos, - a sua fala em Santarém - se exclui a si próprio das crenças religiosas. Contudo não é nosso propósito afirmar se Gil Vicente seria ou não crente desta ou daquela religião, mas tão somente apresentar a sua obra dramática. E na sua obra, a religião como ideologia da época, está sempre presente. Assim como estão presentes as várias instituições que comandam essas ideologias e os seus ideólogos, como todos aqueles que as orientam e lideram, e as suas variadíssimas lutas pelo poder, pelo domínio absoluto dos seus oponentes, reflectindo assim a realidade do seu tempo na Europa.
       Um exemplo significativo destas palavras é dado por Gil Vicente (entre muitos outros) em Sibila Cassandra... Está disponível a breve descrição da peça que não deixa margem para dúvidas, embora os espíritos mais simples ou com défice cultural, ou de leituras - muito embora carregados de livros (ou citações), - possam não se aperceber que a Cassandra de Gil Vicente é a donzela bela da cantiga feita e ensoada pelo autor, que não deve - e não pode - ser violada como foi a Cassandra troiana.
       Como demonstrámos com o nosso elementar estudo da época, e com a mais atenta análise do Auto da Visitação (1502), Gil Vicente, desde logo, nesta sua primeira obra, mostra conhecer o teatro grego e saber usar os preceitos para a tragédia que Aristóteles analisou na sua Poética.
       Um conhecimento elementar da época serve para demonstrar o desvio total da realidade de quase todas as leituras de Gil Vicente feitas desde o romantismo. Interpretando mal, ou antes, ignorando o Poder da Mesta de Pastores e do Conselho Real de Espanha, o Conselho e Aldeia; ignorando o que era um Vaqueiro, uma Cabaña, o que era uma Visitação; ignorando a metáfora patoril começada por Juan del Encina, - pelo qual este mesmo autor se lamenta e contesta de o compararem com os pastoris tradicionais; - ou a estrutura dos versos em estrofes, e estas nas coplas, ou enlaces; as mudanças na acção (drama) dadas pelas alterações no formato das estrofes e nas rimas; as alterações na intervenção da personagem falante que passa da expressão individual para um colectivo, do momento em que o colectivo se confronta com o indivíduo, etc.; em suma, pior ainda, ignorando a estrutura da peça de teatro e desconhecendo o que era uma acção teatral profana, ou os Edifícios e os Triunfos na época, a ponto de não se aperceberem que o vaqueiro fica deslumbrado com a beleza e riqueza da Cabaña que nunca antes conhecera, mas reconhece a jovem mãe rainha Maria (com 20 anos acabados de fazer) de outros tempos passados; etc..

        - Já demonstrámos como se tem confundido o termo Cabaña do sayaguês e do castelhano, com a cabana portuguesa, entendendo-se por isso, uma choça, em vez de uma organização empresarial. Mas sublinhámos muitos outros pormenores importantes para a interpretação de um texto, e mais da metáfora, mais ainda de uma obra de Arte.
       Também fruto de um conhecimento do teatro grego (comédia antiga, Aristófanes) e romano (Plauto e Terêncio) por Gil Vicente é o seu Auto da Índia, o primeiro modelo de teatro de capa e espada da renascença (e o primeiro Dom Juan), do qual apresentámos a nossa primeira leitura e colocámos em domínio público na Internet em Julho de 2009, - e como divulgação - do nosso texto enviámos cópias a muitos dos responsáveis nestes assuntos nas instituições universitárias de Portugal e de outros países, aquelas com Cátedras da lingua e cultura portuguesa.
       Se a investigação nas ciências humanas e nas letras é relativamente fácil de ser entendida e alcançada, a investigação em Arte é bastante mais complexa e mais dificil de alcançar o seu entendimento. A própria História (da Arte) e as obras de Gil Vicente como as de Platão o demonstram.
       Na investigação em Arte, após atingir os limites humanos da investigação científica sobre o objecto de Arte em causa, há que passar ao patamar superior do inteligível (o mais alto na linha dividida na vertical de Platão - saber voltar à Caverna e sobreviver, ser capaz de voltar a sair - atingindo a hiponóia da obra de Arte na noética superior), para utilizar ainda a linguagem de Platão. Neste patamar é preciso saber ler as semelhanças nas diferenças - onde parecem não existir - saber movimentar-se no mundo figurativo, nas metáforas das metáforas, nas metáforas das ideologias, nas metáforas da realidade... E para este mundo não tem havido formação, pois, em geral, nem dele há consciência da sua existência.
       Como dizia Pierre Francastel - há mais meio século atrás, - existe um pensamento figurativo como existe um pensamento matemático... Contudo, na nossa investigação devemos, tanto quanto possível, utilizar a cultura da época em que o Teatro de Gil Vicente foi criado, utilizar os mesmos dados que estavam disponíveis ao autor dos Autos. E por isso recorremos a Aristóteles, e muito mais ainda a Platão, que foi o autor preferido por toda a renascença.
        Assim, para exemplificar o salto ao patamar superior do inteligível, lembramos Platão, na República (487a-488a), com Sócrates respondendo a uma pergunta de Adimanto, após um complexo raciocínio deste sobre a argumentação racional e os seus limites: A pergunta que me fizeste carece de uma resposta em forma de metáfora. [
Adimanto] Mas não é teu costume, segundo julgo, falar por metáforas. [Sócrates] Seja. Estás a troçar, depois de me teres atirado para um raciocínio tão dificil de demonstrar! Ouve então a metáfora... (...) Após a conclusão da metáfora, [Adimanto] É mesmo assim! [Sócrates] Não me parece que seja necessário examinares a fundo o quadro, para veres que se assemelha às relações das cidades com os verdadeiros filósofos; mas compreendes o que quero dizer. [Adimanto] Perfeitamente!
        Este não é um exemplo único nos textos de Platão. Mas, hoje, e cada vez mais, as dificuldades em ver as semelhanças e ler uma metáfora (no sentido mais geral da palavra) é uma constante entre o público mais bem formado e mesmo entre os mais eminentes académicos.
        O exemplo mais importante apresentado por Platão desta situação é Hípias (em Hípias), o maior sábio da Grécia, que sabia mais que os sete sábios todos juntos, e era absolutamente incapaz de ler uma obra de Arte.       
        Por isso, as preferências deste tipo de sábios, em relação à Arte e aos artistas encaminha-se sempre para os tolos, os patetas, os rapsodos, os íons. Que são sempre os mais premiados, sempre apresentados e beneficiados como os melhores da urbe. Assim se fazem os grandes artístas da actualidade e assim se enchem os museus.
        Mas o problema com as obras de Gil Vicente começa logo com a investigação científica (nas letras), com a sua prosa, nas deficientes leituras do Preâmbulo e sobretudo da Carta de Santarém, e mais ainda, como se pode ver no parágrafo exposto mais acima, confrontado com a nossa análise do Auto da Visitação - e Visitação é uma peça muito simples, - pois, nem a letra dos versos, nem a sua organização em estrofes e coplas (ou enlaces), nem a semântica (senão a sintaxe) das frases tinha sido entendida até agora, quanto mais o sentido do texto global da obra... E só depois dele bem entendido se pode passar à análise da peça de teatro, do drama, da acção dramática... E só depois, se passa à obra de Arte, mas para esta, só numa elevação ao patamar superior.
       Como Platão teria deixado escrito na porta da sua Academia (tradução livre): aqui só entra quem souber toda a geometria (a geometria era o melhor modelo da Ciência da época).
Observações sobre o nosso projecto de investigação

        Enfrentámos a proposta de apresentar os resultados dos nossos estudos da época (cultura, literatura, etc.), da nossa pesquisa e investigação científica, na forma de sinopses dos autos de Gil Vicente, a par da sua listagem ordenada na datação correcta e dados históricos, em suma todo o trabalho mais árduo. Ora, não devendo nada ao país, nem a Fundações ou outros organismos, nem a ninguém, optámos pelo seu adiamento constante enquanto se mantiverem as condições em que trabalhamos.
        Decidimos fazer o que já afirmámos, publicaremos aquilo que tivermos tempo de passar a escrito. Apresentando os Autos de uma forma tão completa quanto possível, de modo a serem entendidos por clarividência, podendo haver sinopses de outras obras, mais ou menos completas, conforme se torne necessário para a compreensão do Auto que estiver a ser analisado. Foi o que fizemos com o Auto da Alma (parte de Floresta de Enganos), com o Velho da Horta (sinopse completa de Sibila Cassandra), com Visitação (sinopses de algumas peças de Juan del Encina, da Égloga de Francisco de Madrid) e, com a Carta de Santarém de 1531, onde, como um exemplo, antecipámos uma primeira análise do Auto da Índia.
        Decidimos que para o que não houver tempo na nossa vida, e não haverá nem para uma pequena parte, (seja aqui no jardim seja na cochichina), alguém ficará com a tarefa de prosseguir este trabalho agora iniciado, 500 anos depois de Gil Vicente...
Sobre os Autos de Gil Vicente
gil vicente e plato
Gil Vicente Auto da Alma
Gil Vicente, sobre o Auto da Índia
Gil Vicente, sobre as origens
Gil Vicente cassandra e velho da horta

(c) 2008 - Sítio dedicado ao Teatro de Gil Vicente - actualizado com o progresso nas investigações.
GrammarNet

- Livros publicados no âmbito desta investigação, da autoria de Noémio Ramos:

978-989-977499-5 - Gil Vicente, Auto dos Quatro Tempos, Triunfo do Verão - Sagração dos Reis Católicos.
978-989-977498-8 - Gil Vicente, Auto dos Reis Magos, ...(festa) Cavalgada dos Reis.
978-989-977497-1 - Gil Vicente, Auto Pastoril Castelhano, A autobiografia em 1502.
978-989-977496-4 - Gil Vicente, Exortação da Guerra, da Fama ao Inferno.
978-989-977490-2 - Gil Vicente, Tragédia de Liberata, do Templo de Apolo à Divisa de Coimbra.
978-972-990009-9 - Gil Vicente, O Clérigo da Beira, o povo espoliado - em pelota.
978-972-990008-2 - Gil Vicente, Carta de Santarém, 1531 - Sobre o Auto da Índia.
978-972-990007-5 - Gil Vicente, o Velho da Horta, de Sibila Cassandra à "Tragédia da Sepultura".
978-972-990006-8 - Gil Vicente, Auto da Visitação. Sobre as origens.
978-972-990005-1 - Gil Vicente e Platão - Arte e Dialéctica, Íon de Platão.
978-989-977494-0 - Gil Vicente, Auto da Alma, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II... 
(2ª Edição)
978-972-990004-4 - Auto da Alma de Gil Vicente, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II...

- Outras publicações:
978-972-990000-6 - Francês - Português, Dicionário do Tradutor. - Maria José Santos e A. Soares.
978-972-990002-3 - Os Maios de Olhão e o Auto da Lusitânia de Gil Vicente. - Noémio Ramos.



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© Noémio Ramos
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