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O Teatro de Gil Vicente
E pera declaração
desta obra santa et cetra...,
quisera dizer quem são
as figuras que virão

por se entender bem a letra.

  ... em  Romagem dos Agravados.
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Ler Erasmo e Gil Vicente

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Gil Vicente, artista da Renascença, reinventor do Teatro
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Sobre o Auto da Fé
        Sobre um dos temas que detectamos no Auto da Fé de Gil Vicente, seguimos o preceito de Bento de Jesus Caraça:
... se não receio o erro, é só porque estou sempre pronto a corrigi-lo.
       Segundo nos parece, o tema principal do Auto da Fé passa pelos princípios filosóficos do  nominalismo e do choque conflituoso da sua introdução na Universidade de Salamanca, entre 1508 e 1510, com os mestres recém-chegados de Paris e de Alcalá de Henares, envolvendo o pensamento de Guilherme Ockham (128?-1349). Convém sublinhar que se trata do nominalismo do início de quinhentos, e nunca do posteriormente desenvolvido.
       Que melhor figura para representar o nominalismo senão a Fé? - Ela é isso mesmo, a melhor expressão do nominalismo! As referências aos nomes, aos nomeados, e ao poder de nomear, bem  como os valores da imagem na construção dos conceitos, entre os universais e o individual, repetem-se no Auto, tanto pela figura da Fé, como pelos pastores.
          No regresso a Espanha, vindo de Roma (após curta estadia em Valéncia), Juan del Encina dirige-se a Salamanca e, na Universidade (onde se formou) dá conta de um confronto conflituoso dos docentes locais com alguns mestres do nominalismo (vindos de Paris e Alcalá de Henares), e até da proibição da matéria (nominalismo) aos estudantes, como da expulsão de alguns mestres, entre 1508 e 1509.
O Auto del Repelón (1509), de Juan del  Encina:

         A este propósito Juan del Encina escreve o Auto del Repelón, onde os pastores “salmantinos” (os doutores locais) têm medo de dizer os seus próprios nomes e se refugiam (na universidade onde pensam estar protegidos), enquanto os estudantes nominalistas (ou os mestres vindos de Paris e Alcalá de Henares) os perseguem, e os atacam, requerendo que os pastores pronunciem os seus nomes próprios. No auto os estudantes nominalistas conseguem entrar no recinto (universidade) e aí voltar a atacar os líderes “salmantinos”. A peça termina exactamente recomendando aos pastores locais o estudo e formação na universidade, pois que têm andado afastados do saber, recomenda-se aos pastores que aprendam as (novas) doutrinas agora em moda. Como convinha ao tema, Encina escreveu a peça em saiaguês, linguagem tradicional da região, a condizer com a limitação das concepções dos pastores locais... E por a peça ter sido escrita em 1509, é mais perfeita na linguagem e mais evoluída que as suas peças anteriores em saiaguês.
O Auto da Fé (1510), de Gil Vicente:

        Em 1510 Gil Vicente trata também o conflito de Salamanca, conflito que se manteve por dois ou três anos, com o saiaguês de novo. Alguns dos pastores locais deslocam-se a Roma para visitar a Capela Sistina, após tomarem conhecimento de que as obras de pintura da abóbada estão suspensas. Na Capela (maravilhados no Pontifical) ficam deslumbrados com tudo o que vêm, sobretudo procurando saber o significado das imagens pintadas e, a par de muitas das suas manifestações provincianas, são depois confrontados com o nominalismo na figura da Fé... Pastores, eu sam a Fé (126). No decurso da ideologia (filosofia), os pastores ao ouvirem a expressão Deus é o seu nome maior (162), lembram que o seu amo também tem nome embora não se fixem sempre nas mesmas palavras para o chamar... Mas sobretudo lembram que não se fixam muitos nas palavras (ou nos nomes), e ao público torna-se manifesta a pouca importância dos nomes para os pastores que se expressam com grandes deficiências na pronuncia:  ora pro ñubes, ora pró ñubes… (171)

Faro, 21 de Maio de 2011.
Noémio Ramos

(c) 2008 - Sítio dedicado ao Teatro de Gil Vicente - actualizado com o progresso nas investigações.
GrammarNet

- Livros publicados no âmbito desta investigação, da autoria de Noémio Ramos:

978-989-977499-5 - Gil Vicente, Auto dos Quatro Tempos, Triunfo do Verão - Sagração dos Reis Católicos.
978-989-977498-8 - Gil Vicente, Auto dos Reis Magos, ...(festa) Cavalgada dos Reis.
978-989-977497-1 - Gil Vicente, Auto Pastoril Castelhano, A autobiografia em 1502.
978-989-977496-4 - Gil Vicente, Exortação da Guerra, da Fama ao Inferno.
978-989-977490-2 - Gil Vicente, Tragédia de Liberata, do Templo de Apolo à Divisa de Coimbra.
978-972-990009-9 - Gil Vicente, O Clérigo da Beira, o povo espoliado - em pelota.
978-972-990008-2 - Gil Vicente, Carta de Santarém, 1531 - Sobre o Auto da Índia.
978-972-990007-5 - Gil Vicente, o Velho da Horta, de Sibila Cassandra à "Tragédia da Sepultura".
978-972-990006-8 - Gil Vicente, Auto da Visitação. Sobre as origens.
978-972-990005-1 - Gil Vicente e Platão - Arte e Dialéctica, Íon de Platão.
978-989-977494-0 - Gil Vicente, Auto da Alma, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II... 
(2ª Edição)
978-972-990004-4 - Auto da Alma de Gil Vicente, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II...

- Outras publicações:
978-972-990000-6 - Francês - Português, Dicionário do Tradutor. - Maria José Santos e A. Soares.
978-972-990002-3 - Os Maios de Olhão e o Auto da Lusitânia de Gil Vicente. - Noémio Ramos.



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