Auto dos Quatro Tempos

Auto dos Reis Magos

Auto Pastoril Castelhano

Exortação da Guerra

Clérigo da Beira / Escrivães

Liberata / Templo de Apolo

Velho da Horta / Cassandra

Gil Vicente cassandra e velho da horta

Sobre o Auto da Índia

Alma / Papa Júlio II e Erasmo

Gil Vicente Auto da Alma

Visitação / Sobre as Origens

Gil Vicente, sobre as origens

Arte e Dialéctica - Íon Platão

gil vicente e plato
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Gil Vicente O Teatro de Gil Vicente
O Teatro de Gil Vicente
E pera declaração
desta obra santa et cetra...,
quisera dizer quem são
as figuras que virão

por se entender bem a letra.

  ... em  Romagem dos Agravados.
Lendo o Auto da India de Gil Vicente
Ler Erasmo e Gil Vicente

As figuras
nas personagens dos Autos
- os protagonistas -
em Obras


As suas obras dramáticas,
a lista de todos os autos,
em Autos

Datação das obras, dos Autos de Gil Vicente
Gil Vicente, artista da Renascença, reinventor do Teatro
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Joao de Medici
     As obras dramáticas de Gil Vicente são demasiado complexas para se deixarem ler por simples identificação e reconhecimento, há que recordar, reflectir, analisar e, com cuidada reflexão, anular as hipóteses que se negam em confronto com a realidade. Com Platão diremos, arrastando aos poucos os olhos da alma da espécie de lodo bárbaro em que está atolada elevando-os às alturas, ascendendo na linha dividida na vertical e, se o conseguirmos, alcançando por clarividência o Belo inteligível na sua Arte, todavia, as obras de Gil Vicente são também simples para as almas simples...
[p.215, Auto da Alma de Gil Vicente, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II... de Noémio Ramos]
      O Auto da Alma em 1508, constitui a sua primeira grande obra, depois de o autor se ter libertado das suas experiências iniciais de aprendizagem. Mas, como acontece com os ensinamentos de Aristóteles e de Platão, nem Sófocles, nem Aristófanes, nem muitos outros saberes, se terão perdido para Gil Vicente.
      Mencionámos as aprendizagens, as técnicas do discurso, da poesia e do drama, referindo também as artes plásticas, que na época além da arquitectura, mecânica, engenharia (civil, militar, etc.), pintura, escultura, ourivesaria, incluíam os figurinos (alfaiate), o espectáculo dos cortejos, dos triunfos, e cerimónias dos senhores da renascença, faltará ainda referir os assuntos tratados pelo dramaturgo nas suas peças, e pelos assuntos definir os temas, as personagens, o seu carácter e pensamento, as ideias que cada um manifesta, etc.. E como referimos quando tratámos dos autos da primeira fase, o mythos, nas suas obras, mantém o significado original dado pelos gregos, na sua relação última com a História.
[p.162, Gil Vicente e Platão, Arte e Dialéctica, Íon de Platão... de Noémio Ramos]
      Quanto aos assuntos que servem de substância (matéria), às suas peças, Gil Vicente segue a tradição grega, e coloca em cena a História, os conflitos humanos, sociais e políticos, retirados da própria História, bem em cima dos acontecimentos, em cada momento da sua própria existência. A sua obra é sobretudo a História da Europa, num dos seus momentos mais importantes. A formação dos Estados pelas Nações, os conflitos gerados com os desejos de um Império e a transformação da Igreja Medieval numa Igreja Imperial, ou Nacional. E nestas condições, a partilha dos devidos bens pelos diversos Estados que já não se querem sujeitar à Igreja nem admitem uma Igreja Imperial, as guerras de Itália, as revoltas, os conflitos ideológicos do Poder na Europa, os conflitos religiosos, a Reforma e o início da Contra-Reforma, a ascensão da Burguesia e da Banca, o desenvolver dos Parlamentos, as novas economias e novas formas de governo, as tentativas de ascensão do povo ao poder, a liberdade política e a liberdade de pensamento e sua expressão, etc.. Tudo isto, e talvez muito mais e melhor, consta e é uma constante ao longo das suas obras.
      Nunca um autor dramático colocou em cena tanta informação sobre a sua época, a época em que viveu, a luta ideológica do seu tempo e as perspectivas filosóficas, sociais e políticas, os conflitos de Poder que a cada passo vão sucedendo...

[p.162-163, Gil Vicente e Platão, Arte e Dialéctica, Íon de Platão... de Noémio Ramos]
      Nunca um autor dramático soube tão bem representar o seu tempo como Gil Vicente! Criando e dizendo sempre o que muito bem quis, nas barbas do Poder Real e Eclesiástico. Não existe para ele um modelo, nem nenhum autor se lhe pode comparar. A sua obra é a melhor lição de liberdade intelectual, de Filosofia da época, das ideologias e da História, da História da Europa do seu tempo, da Renascença, a melhor (a mais Bela) que alguma vez poderemos vir a encontrar, e escrita com o desenrolar dos próprios acontecimentos.
      Infelizmente faltam alguns autos, entre seis, oito ou mais autos, que melhor completariam o traçado de continuidade (da História) na sua obra.
Em suma, o trabalho de Gil Vicente é um trabalho que diz respeito e interessa a toda a Europa, é a História da Europa numa das suas épocas de ouro - a Renascença e a Reforma. Numa obra exemplar que surge
oferecendo à alma complexa discursos complexos e com toda a espécie de harmonias, e simples à alma simples.
[p.163, Gil Vicente e Platão, Arte e Dialéctica, Íon de Platão... de Noémio Ramos]
      Sublinhamos mais uma vez: o estudo de cada peça transporta-nos sobretudo para a literatura, a filosofia, as ideologias políticas e religiosas, para a História, o poder político e a correlação de forças sociais, económicas e políticas na época. O Poder na Europa é o traço comum deixado pelo autor em quase todos os seus autos.
[p.164, Gil Vicente e Platão, Arte e Dialéctica, Íon de Platão... de Noémio Ramos]
      A História de que falamos, é a que define Aristóteles na Poética (1451b), é essa que Gil Vicente entendeu oferecer-nos com os seus Autos. Ele é um poeta no sentido dado pelo filósofo da Poética, quando diz que: A distinção entre o historiador e o poeta não está no facto de um escrever em prosa e o outro em verso; podemos transferir para verso a obra de Herodoto, e ela continuará pertencendo à disciplina de história. A diferença reside em que, um relata os factos sucedidos, e o outro inventa o sucedido, pelo que podia ou devia suceder. Daí que a poesia, [a Arte] seja mais filosófica [tal como na visão dialéctica de Platão] e de maior dignidade que a história, posto que as suas proposições são mais do tipo universal, enquanto que as da história são apenas particulares. E Gil Vicente é pela Comédia, embora as técnicas da tragédia estejam presentes nas suas obras, pela comédia, pelo facto de as coisas terem acontecido [os factos históricos já sucedidos], torna-se evidente que eram possíveis de suceder, pois não teriam ocorrido se fossem impossíveis (...), assim não é necessário que se limite às histórias tradicionais como na tragédia.
[p.216-217, Auto da Alma de Gil Vicente, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II... de Noémio Ramos]
      Tragicomédia terá sido, porventura, uma designação para as obras que, como as de Gil Vicente, incluíam numa mesma figura os homens melhores (superiores ao que são - tragédia) e os piores (inferiores ao que são, ridículos - comédia), tal como Aristóteles havia considerado na Poética (1448ab): a comédia é uma figuração (prefiguração na linguagem de Gil Vicente), de caracteres inferiores em toda a sua vileza mas apenas na parte do vício que é ridícula. O ridículo é um defeito e uma deformação nem dolorosa nem destruidora, tal como, por exemplo, a máscara cómica é feia e deformada mas não exprime dor. Pois são sobretudo as técnicas da tragédia (serão da comédia) que vemos utilizadas nos seus autos: (1) a acção dramática, pela concepção do mythos (na História); (2) os caracteres com múltipla caracterização das personalidades e alegorias; (3) o pensamento das figuras e as ideologias; (4) a elocução e a dicção; (5) a melodia e ritmo da fala e dos cantos; e (6) o espectáculo, cenários, figurinos, música, dança, cortejos, etc..
      No início um prólogo, como em Quatro Tempos (Serafim), Alma (Agostinho), etc., depois, os episódios muito bem coordenados para nos transmitir (por clarividência) o mythos, com os seus conflitos, peripécias, o recordar e os reconhecimentos, as reviravoltas, os desenlaces... Por fim, o êxodo, em cortejo ou apoteose.
      Parece-nos que estes seis pontos de Aristóteles, na sua essência, e com os outros pormenores - coerência e sentido do texto, metáforas, enigmas, profecias, etc., - são uma síntese racional (e por isso reduzida) dos preceitos definidos na hiponóia do Íon quanto à técnica da poética de Homero e à técnica de Platão.

[p.216-217, Auto da Alma de Gil Vicente, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II... de Noémio Ramos]
Fernando da Alemanha
Leanora Habsburg
Doria o Genovês
Senhoria de Veneza
Farnese
D. Joao III
Henry VIII
Anne Boleyn
Papa Medici
Francisco I de France
Os figurados nas Obras
bailadores de folia
teatro grego, comedia antiga
As figuras nas personagens, os protagonistas
Carlos de Habsburgo
Francisco I de França
Papa Clemente VII, Medici
Ana Bolena, Inglaterra
Henrique VIII, Inglaterra
João III de Portugal
Papa Paulo III, Farnese
Doge Andrea Gritti
Almirante Andrea Doria
Leonor de Habsburgo
Fernando de Habsburgo
(Rei, Imp. Alemanha)
       Ainda jovem
Carlos de Habsburgo, futuro imperador
(neto dos Reis Católicos e de Maximiliano de Habsburgo.
Filho de Joana de Castela (a louca) e de Filipe o Belo,
sobrinho de Catarina de Aragão (1ª mulher de Henrique VIII) e de Maria (2ª mulher de Manuel I).
Irmão de Leonor (3ª mulher de Manuel I de Portugal, e 2ª mulher de Francisco I de França).
Irmão de Fernando de Habsburgo da Alemanha
e de Catarina de Habsburgo (mulher de João III) ...
(a lista prosegue por essa Europa...,  a descendência dos Reis Católicos) e de Maximiliano.
Introdução
Solimão
Solimão, o Magnifico
... o Grão Turco
Carlos Habsburg
Carlos I de Espanha

Imperador Carlos V
Erasmo humanista reformista
Reforma protestante
Desiderius Erasmus
Martinho Lutero
Reforma protestante Suiça
Zwingli
Reforma protestante
Melanchthon
Chanceler Henry VIII
Tomás More
Governo de Henry VIII
Cardeal Wolsey
Poeta classicismo
Garcilaso de la Vega
Historiador, filósofo, escritor
João de Barros
Poeta classicismo
Sá de Miranda
Banqueiro
Anton Fugger
Mulher -2 de Fernando de Aragão
Germana de Foix
Adriano
Papa Adriano VI,
(1521-1523) (Flandres)
Educador de Carlos
Papa Leão X, Medici
Rodrigo de Borgia
Papa Alexandre VI, Bórgia - Espanhol
Rodrigo de Bórgia, Papa que atribuiu o Título de
Reis Católicos
        a Fernando de Aragão e Isabel de Castela.
Fernando de Aragão
Isabel de Castela
(a Católica)
Fernando de Aragão
(o Católico)
Joana de Castela
(a louca)
Joana de Castela
El-rei Manuel I
Manuel I de Portugal
Isabel de Castela
Cardeal Cisneros
Avô de Carlos V
Maximiliano I, Imperador
(Habsburgo)
della Rovera
Papa Júlio II, Rovera
Banqueiro homem mais rico
Jacob Fugger
(o Homem mais rico)
Tia de Carlos
Margarida de Habsburgo
(tia que criou Carlos...)
Rainha de França, Francisco I
Luisa de Saboia
Escultor Pintor Arquitecto Poeta
Miguel Ângelo
Cisneros

(c) 2008 - Sítio dedicado ao Teatro de Gil Vicente - actualizado com o progresso nas investigações.
GrammarNet

- Livros publicados no âmbito desta investigação, da autoria de Noémio Ramos:

978-989-977499-5 - Gil Vicente, Auto dos Quatro Tempos, Triunfo do Verão - Sagração dos Reis Católicos.
978-989-977498-8 - Gil Vicente, Auto dos Reis Magos, ...(festa) Cavalgada dos Reis.
978-989-977497-1 - Gil Vicente, Auto Pastoril Castelhano, A autobiografia em 1502.
978-989-977496-4 - Gil Vicente, Exortação da Guerra, da Fama ao Inferno.
978-989-977490-2 - Gil Vicente, Tragédia de Liberata, do Templo de Apolo à Divisa de Coimbra.
978-972-990009-9 - Gil Vicente, O Clérigo da Beira, o povo espoliado - em pelota.
978-972-990008-2 - Gil Vicente, Carta de Santarém, 1531 - Sobre o Auto da Índia.
978-972-990007-5 - Gil Vicente, o Velho da Horta, de Sibila Cassandra à "Tragédia da Sepultura".
978-972-990006-8 - Gil Vicente, Auto da Visitação. Sobre as origens.
978-972-990005-1 - Gil Vicente e Platão - Arte e Dialéctica, Íon de Platão.
978-989-977494-0 - Gil Vicente, Auto da Alma, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II... 
(2ª Edição)
978-972-990004-4 - Auto da Alma de Gil Vicente, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II...

- Outras publicações:
978-972-990000-6 - Francês - Português, Dicionário do Tradutor. - Maria José Santos e A. Soares.
978-972-990002-3 - Os Maios de Olhão e o Auto da Lusitânia de Gil Vicente. - Noémio Ramos.



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© Noémio Ramos
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