Auto dos Quatro Tempos

Auto dos Reis Magos

Auto Pastoril Castelhano

Exortação da Guerra

Clérigo da Beira / Escrivães

Liberata / Templo de Apolo

Velho da Horta / Cassandra

Gil Vicente cassandra e velho da horta

Sobre o Auto da Índia

Alma / Papa Júlio II e Erasmo

Gil Vicente Auto da Alma

Visitação / Sobre as Origens

Gil Vicente, sobre as origens

Arte e Dialéctica - Íon Platão

gil vicente e plato
Stop MEE Youtube- VideoStop MEE Youtube- Video
  - Blogs:
irresiliências (blog)
o que eles escondem (blog)
Eugénio Rosa (economista)
Vicenç Navarro (economista)
Fernando Martins (blog)
Gil Vicente O Teatro de Gil Vicente
O Teatro de Gil Vicente
E pera declaração
desta obra santa et cetra...,
quisera dizer quem são
as figuras que virão

por se entender bem a letra.

  ... em  Romagem dos Agravados.
Lendo o Auto da India de Gil Vicente
Ler Erasmo e Gil Vicente

As figuras
nas personagens dos Autos
- os protagonistas -
em Obras


As suas obras dramáticas,
a lista de todos os autos,
em Autos

Datação das obras, dos Autos de Gil Vicente
Gil Vicente, artista da Renascença, reinventor do Teatro
MP3 Player requires JavaScript and the latest Flash player. Get Flash here.

Sobre os "Hípias" de Platão Sobre o Fedro de Platão Platão
Não nos parece ter grande cabimento apresentar nestas páginas o pensamento da época de Gil Vicente, e por isso optámos por apresentar apenas aquilo que considerámos ser essencial conhecer para realizar uma leitura apropriada da obra de Gil Vicente.
Todavia, mais restritamente ainda, apenas aquilo que tem escapado ao que, na generalidade, é por todos conhecido como o pensamento e a cultura da renascença. Com isto queremos dizer que iremos apenas sublinhar o que pensamos ser a diferença em relação ao que é já do conhecimento geral.
Gil Vicente e Platão, Íon de Platão
Platão
Sobre a Arte no pensamento de Platão aconselhamos a leitura do seguinte livro
Índice deste livro
Linha dividida na vertical (cinco páginas deste livro)
Sobre a leitura de Platão   (que se concluiu...)
     Íon...

     
Hípias

     Fedro


     Ménon
   Para uma compreensão mais justa de toda a obra de Platão aconselhamos a leitura atenta das seguintes obras de
Vasco de Magalhães-Vilhena:

O problema de Sócrates.
O Sócrates histórico e o Sócrates de Platão
.
Ed. Gulbenkian, 1984.

Platão e a Lenda Socrática.
A ideaização de Sócrates e o utopismo político de Platão
.
Ed. Gulbenkian, 1998.

   Pensamos que a Fundação Calouste Gulbenkian podia (devia) disponibilizar estes (e todos os seus outros) livros na Internet em formato PDF. Este tipo de livros (também como os nossos) em Portugal não se vendem, de forma que a sua distribuiçao na Internet seria uma boa forma de divulgar a cultura e fomentar o conhecimento.
A "Teoria do Conhecimento" de Platão

Na República Platão apresenta-nos a sua teoria das ideias, ou teoria das formas, que de um modo esquemático é figurado na linha dividida na vertical.
Platão apresenta a sua teoria numa concepção global do homem e da sociedade humana e da relação entre o homem e a sociedade. Colocando como questão fundamental da sociedade humana a distribuição da riqueza por ela produzida, em termos de Justiça distributiva, e consequentemente a necessidade da educação e ensino, a formação cultural do homem, para que todo o homem tenha o lugar que lhe seja mais apropriado na sociedade, com a devida retribuição, atingindo assim a sua liberdade devidamente enquadrada no ser social.
O pensamento de Platão, a sua conclusão sobre o assunto, ficou exposta no final da obra, no mito de Er, apresentado de um modo simples para as almas simples, e complexo com as mais variadas harmonias para as almas complexas.

Aqui apresentamos apenas o quadro resumido da sua teoria do conhecimento que está na base do seu sistema de pensamento e organização do sistema de ensino.



        O diálogo de confronto de Sócrates com  Íon é, na sua forma aparente e na letra, o mais curto dos diálogos criados por Platão. Contudo, com uma aparência (a forma aparente, sensível) muito simples é, no entanto, uma obra bastante complexa, pois tal como Platão expôs em Fedro, os seus diálogos são postos por escrito por serem dedicados à educação e ao ensino da juventude, e por isso lhe mereceram os maiores cuidados em todo o seu processo de criação e elaboração.
        Como afirma a figura de Sócrates, idealizada por Platão, ainda em Fedro, tais textos devem ser criados de modo a que se apresentem simples para as almas simples, mas que sejam em tudo como a natureza humana e social na procura da Verdade, pelo trabalho do pensamento, complexos e repletos das mais variadas harmonias para as almas mais complexas... 

        De um modo geral as obras de Platão têm sido lidas apenas na sua forma sensível, na sua letra, no mundo da forma aparente, raramente ultrapassando este estádio do mundo sensível, na sua linha dividida na vertical. As suas obras são-nos assim apresentadas como simples para as nossas almas simples.

        Numa análise mais profunda, ao nível do entendimento (da dianóia), as obras de Platão (ainda numa forma aparente) parecem ter contradições, e neste aspecto, têm sido e ainda são campo de grandes confrontos ideológicos e filosóficos... É um mundo dos meios universitários, uns como Hípias, outros Parmenides, Górgias, etc., todos eles têm de justificar de algum modo as suas leituras de Platão, normalmente perfilhando o pensamento de Sócrates (como sendo o de Platão), o modelo ideal criado pelo autor.

        Todavia, Platão não é Sócrates! O pensamento de Platão é dialéctico. E para o expôr o autor encontrou um processo que não deixa quaisquer dúvidas: o seu pensamento é exposto pela Arte, pela Arte dramática, expõe-se na acção dramática.
        O seu pensamento cria (como base, hipónoia) uma representação, construindo uma realidade de facto (a peça escrita, contudo, posta em cena, concretizando-se em acção viva, num discurso vivo), que figura em tudo a realidade material, constituída pelas seguintes realidades: objectiva (lógica e racional), construída (actual e socio-histórica, acomodada pelo senso-comum, pela crença, fé, etc.) sensível (pecebida pelos sentidos, actualmente vivida e apreendida), desejada (afectiva, motivada ou instintiva).
        É deste universo, do pensamento figurativo de Platão, na acção dramática criada, que surge ao leitor, por clarividência (processo de tomada de consciência), o conteúdo da sua obra, os seus significados, a plenitude do seu pensamento. Tal como ao observarmos uma pintura (quando Arte de facto) com um ver inteligível nos surgem os seus significados e descobrimos por eles o conteúdo das formas e o pensamento do seu autor.
        
        Gil Vicente aplica esta mesma técnica de trabalho nas suas obras de teatro, e assim tal como as obras de Platão, as suas peças surgem simultaneamente complexas e repletas das mais variadas harmonias às almas mais complexas e simples às almas simples.
        Até agora as obras de Gil Vicente, tal como as obras de Platão, têm sido consideradas pela nossa alma mais simples, pelo tolo, pelo parvo, pelos Íons, mas também, ou de outro modo, pelos soberbamente "racionalistas", os que apenas atingem a objectividade nas folhas de papel, na letra (não se apercebendo da floresta): os Hípias, os maiores sábios dos nossos meios  científicos, políticos e universitários.

        Platão, dramaturgo e filósofo, criou as suas figuras como tipos humanos, a partir de pessoas reais:
        Sócrates, um modelo ideal, caracterizado na Apologia e sobretudo no Fenon (onde justifica a sua morte pela sua teoria das ideias, aqui a teoria de Sócrates, não a teoria de Platão);
        Íon, o artista "inspirado pelas musas", enaltecido pela sociedade e por ela superpremiado, mas afinal ignorante e completamente desfasado da realidade da Arte;
        Hípias, o maior sábio, elogiado pelo Poder e auferindo riqueza a ensinar as suas certezas, considerado pela maioria e pelo Poder de toda a Grécia um especialista em todas as técnicas, e em especial nas técnicas do Belo (a Arte), todavia, na verdade incapaz de compreender a Arte e o Belo;
        Menon, o jovem pretendente à vida política que quer adquirir as virtudes de um bom político, contrastando com Anito que nunca as aprendeu de seu pai e foi incapaz de as adquirir;
        Cálicles (no Górgias) a figura exemplar do nosso oportunista político (um bom retrato dos políticos da actualidade);
        etc..

        Gil Vicente, como Platão, cria as suas figuras como tipos humanos a partir dos senhores da Europa do seu tempo (políticos, ideólogos, Instituições, etc.), caracterizando-os nas suas figuras mais ridículas (como convém à Comédia, definida por Aristóteles), mas também, como Platão, os senhores figurados são-no pelo seu próprio Ser e mais pelas suas acções.
        Como em Platão, os tipos humanos de Gil Vicente, são eternos: os líderes (pastores) e os seus outros, os parvos; os “ratinhos”, “fidalgos”, “vilões”, “escudeiros”, “alcoviteiras”, “sapateiros”, etc..


        Para lermos uma peça de teatro de Gil Vicente é importante conhecer Platão e o seu processo de trabalho, pois foi pelas técnicas e pelos tipos humanos criados por Platão (com um contributo de Aristófanes) que Gil Vicente iniciou todo o seu trabalho. É preciso saber ler o Íon de Platão!



23 páginas da leitura analítica do Íon
Sobre o Íon de Platão
        Desde sempre, fomos habituados a considerar dois livros separados onde Platão desenvolve os diálogos de confronto de Sócrates com (o então considerado maior sábio da Grécia) Hípias.
        Sempre nos apresentaram um Hípias Maior, e um outro livro, o Hípias Menor. Quase sempre considerando que o Menor seria anterior ao Maior!

        Noémio Ramos apresenta o Hípias Menor como uma sequência (e consequência) exacta do Hípias Maior.
        Isto é, considera apenas um livro, Hípias, que se desenvolve em duas partes. A primeira parte será o Hípias Maior e a segunda o Menor. Entre as duas partes há uma conferência de Hípias sobre as actividades do Belo (as Artes) que para Platão não tem um mínimo de interesse porquanto considera que Hípias é incapaz de se aperceber do Belo produzido pelo Homem (as Artes), e incapaz de compreender as obras e as actividaddes dos artistas.
 


        Sobre o exposto podem ser lidas algumas páginas do livro de Noémio Ramos, ISBN: 978-972-990005-1
Gil Vicente e Platão, Arte e Dialéctica, Íon de Platão...

Três das páginas sobre os
Analisando o Fedro de Platão

Transcrevemos a seguir um trecho da análise do Fedro de Platão, publicado em Gil Vicente e Platão - Arte e Dialéctica, Íon... de Noémio Ramos, num trabalho de confronto do Preâmbulo e da Sepultura de Gil Vicente com o conteúdo deste livro do filósofo grego sobre a dialéctica na técnica da retórica.
Cinco das páginas sobre o
Sobre a leitura analítica do Íon de Platão, no livro:
Gil Vicente e Platão, Arte e Dialéctica, Íon de Platão pelo seu autor: Noémio Ramos
...a Linha dividida na vertical de Platão
numa leitura actualizada, conforme publicada por Noémio Ramos em:
Gil Vicente, o Clérigo da Beira, o povo espoliado - em pelota.
          Platão

      Platão é o filósofo preferido na época, mais ainda depois da criação por Lourenço Medici da Academia Platónica de Florença. Por onde passaram Marcilio Ficino e Pico della Mirandola... Assim, antes de mais, há que conhecer a obra de Platão no que respeita às suas ideias sobre a Arte e a Retórica.

        Noémio Ramos apresenta o seguinte Quadro em Gil Vicente e Platão - Arte e Dialéctica, Íon..., numa leitura resumida de A República, que tem o objectivo de evidenciar o pensamento de Platão no que respeita à Arte - o Belo na Grécia antiga - e à sua integração na teoria do conhecimento, teoria das ideias (das formas).
        A Arte (o Belo) é especificamente tratado por Platão em Hípias (maior e menor), mas a técnica da poética, que inclúi a da Arte dramática, surge claramente no confronto de Sócrates com Íon, em Íon...
       O discurso retórico é tratado de modo especial em Fedro.
Em Fedro, Platão sublinha uma ideia a reter para a dialéctica, e muito em especial para a técnica do discurso retórico baseado na dialéctica, uma ideia que Fedro pede a Sócrates que volte a repetir para melhor ser lembrada (265d-e, 273e, 277b-e), que já antes tinha ficado concretizada no próprio discurso de Estesícoro, e que aqui resumimos, numa espécie de listagem com as regras de ouro de Platão para a Técnica da Retórica.
Quem pretender fazer um bom discurso retórico deve:
1 - Conhecer a verdade dos assuntos sobre os quais pretende falar ou escrever; e (a) que seja capaz de reduzir a uma ideia única, que se possa abarcar de um relance, as várias realidades dispersas por muitos pontos (tópicos); isto é, que ele seja capaz de definir essa mesma ideia em cada um dos assuntos a tratar, mas que, pela definição, em cada unidade se possa tornar evidente cada um dos tópicos; (b) e, uma vez que tudo tenha sido condensado numa única ideia, que se saiba dividir de novo em diferentes espécies, segundo as articulações naturais, até atingir o indivisível, mas de modo a não provocar rupturas, como faz o carniceiro inexperiente;
2 - Conhecer a natureza humana, a sua alma (o espírito humano), caracterizando os seus tipos ou espécies; (a) que se encontre, depois de a analisar do mesmo modo que referimos no ponto um, para cada tipo ou cada espécie de alma, a forma apropriada de discurso; e (b) em seguida, se disponha e ordene em conformidade o discurso, oferecendo à alma complexa discursos complexos e com toda a espécie de harmonias, e simples à alma simples. Concluindo: (273e) se uma pessoa não puder fazer a lista completa das diversas naturezas de quem vai escutar, se não for capaz de dividir os seres segundo as suas espécies, e de reduzir cada uma dessas espécies a uma só ideia, jamais será um bom técnico da oratória.
(...)
Assim, aquele que pretender escrever um discurso vivo, deve considerar ser a escrita muito semelhante à pintura, pois como os produtos desta, os textos escritos permanecem como seres vivos (…). Mas, se lhes perguntares alguma coisa, respondem-te com um silêncio cheio de gravidade (…). Poderá parecer-te que o pensamento como que anima o que dizem; no entanto, se movido pelo desejo de aprender, os interrogares sobre o que acabam de dizer, revelam-te uma única coisa e sempre a mesma. E, uma vez escrito, todo o discurso rola por todos os lugares, apresentando-se sempre do mesmo modo, tanto a quem o deseja ouvir como ainda a quem não mostra interesse algum, e não sabe a quem deve falar e a quem não deve. Além disso, maltratado e insultado injustamente, necessita sempre da ajuda do seu autor, uma vez que não é capaz de se defender e socorrer a si mesmo (275d-e).
Podemos então apresentar a terceira regra:
(a) que se encontre o modo de escrever o discurso vivo e animado, esse que é capaz de se defender a si próprio, que sabe falar e ficar silencioso diante de quem convém. Aquele que, nos jardins da escrita, segundo parece, se semeia e escreve por divertimento; e sempre que se escreve entesoura recordações para si.
(b) tendo então presente que a ocupação nestas matérias se torna muito mais bela, quando alguém, usando a técnica da dialéctica, e tomando uma alma apta, planta e semeia com discernimento discursos que são capazes de vir em socorro de si mesmos e de quem os plantou, (277a) que não ficam improdutivos, mas possuem gérmen, donde, em índoles diferentes, nascem outros discursos, capazes de tornar para sempre esse gérmen imortal e de conceder - dentro das limitações humanas - o mais alto grau de felicidade a quem o possui.
[p.58, 59, Gil Vicente e Platão, Arte e Dialéctica, Íon... de Noémio Ramos]

(c) 2008 - Sítio dedicado ao Teatro de Gil Vicente - actualizado com o progresso nas investigações.
GrammarNet

- Livros publicados no âmbito desta investigação, da autoria de Noémio Ramos:

978-989-977499-5 - Gil Vicente, Auto dos Quatro Tempos, Triunfo do Verão - Sagração dos Reis Católicos.
978-989-977498-8 - Gil Vicente, Auto dos Reis Magos, ...(festa) Cavalgada dos Reis.
978-989-977497-1 - Gil Vicente, Auto Pastoril Castelhano, A autobiografia em 1502.
978-989-977496-4 - Gil Vicente, Exortação da Guerra, da Fama ao Inferno.
978-989-977490-2 - Gil Vicente, Tragédia de Liberata, do Templo de Apolo à Divisa de Coimbra.
978-972-990009-9 - Gil Vicente, O Clérigo da Beira, o povo espoliado - em pelota.
978-972-990008-2 - Gil Vicente, Carta de Santarém, 1531 - Sobre o Auto da Índia.
978-972-990007-5 - Gil Vicente, o Velho da Horta, de Sibila Cassandra à "Tragédia da Sepultura".
978-972-990006-8 - Gil Vicente, Auto da Visitação. Sobre as origens.
978-972-990005-1 - Gil Vicente e Platão - Arte e Dialéctica, Íon de Platão.
978-989-977494-0 - Gil Vicente, Auto da Alma, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II... 
(2ª Edição)
978-972-990004-4 - Auto da Alma de Gil Vicente, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II...

- Outras publicações:
978-972-990000-6 - Francês - Português, Dicionário do Tradutor. - Maria José Santos e A. Soares.
978-972-990002-3 - Os Maios de Olhão e o Auto da Lusitânia de Gil Vicente. - Noémio Ramos.



Renascença e Reforma - líderes políticos e ideólogos - ideologia e História da Europa
Mapa do Sítio
© Noémio Ramos
Índice do Sítio
Lyrics in English
Livros Completos
downloads