Auto dos Quatro Tempos

Auto dos Reis Magos

Auto Pastoril Castelhano

Exortação da Guerra

Clérigo da Beira / Escrivães

Liberata / Templo de Apolo

Velho da Horta / Cassandra

Gil Vicente cassandra e velho da horta

Sobre o Auto da Índia

Alma / Papa Júlio II e Erasmo

Gil Vicente Auto da Alma

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Gil Vicente, sobre as origens

Arte e Dialéctica - Íon Platão

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Gil Vicente O Teatro de Gil Vicente
O Teatro de Gil Vicente
E pera declaração
desta obra santa et cetra...,
quisera dizer quem são
as figuras que virão

por se entender bem a letra.

  ... em  Romagem dos Agravados.
Lendo o Auto da India de Gil Vicente
Ler Erasmo e Gil Vicente

As figuras
nas personagens dos Autos
- os protagonistas -
em Obras


As suas obras dramáticas,
a lista de todos os autos,
em Autos

Datação das obras, dos Autos de Gil Vicente
Gil Vicente, artista da Renascença, reinventor do Teatro
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        Na primeira parte do Prólogo o frade, figurando Thomas More, expõe uma paródia bem elaborada às suas intervenções contra as doutas posições dos académicos a quem Henrique VIII pediu apoio jurídico para aprovação do seu casamento com Ana Bolena.
        Na sua intervenção dirige-se directamente ao rei Henrique VIII.
Entra primeiramente um Frade e a modo de pregação diz o que se segue:

Três cousas acho que fazem
ao doudo ser sandeu:
a uma, ter pouco siso de seu…,
a outra, que esse que tem,
nam lhe presta mal nem bem…

E a terceira,
que endoudece em grã maneira
é o favor, livre-nos Deos…,
que faz do vento cimeira
e do toutiço moleira
e das ondas faz ilhéus.

Diz Francisco de Mairões
Ricardo e Bonaventura,
nam me lembra em que escretura
nem sei em quais destinções
nem a cópia das rezões.

Mas o latim,
creo que dizia assi:
nolite vanitatis debemus
considere de his que capita
sua posuerunt in manibus
ventorum, et coetera.

Quer dizer este matiz
antre os primores que traz:
nam é sesudo o juiz
que tem jeito no que diz
e nam acerta o que faz.

Diz Boécio De Consolacionis,
Orígenes, Marci Aureli,
Salustius, Catelinarum,
Josepho, Espelum beli
glosa interliniarum.

Vicencius Scala celi
magister sententiarum,
Demóstenes, Calistrato...,
todos estes concertaram
com Scoto livro quarto.

Dizem: nam vos enganeis
letrados de Rio Torto,
que o por vir não no sabeis
e quem nisso quer pôr peis
tem cabeça de minhoto.

Ó bruto animal da serra,
ó terra filha do barro,
como sabes tu bebarro
quando há de tremer a terra
que espantas os bois e o carro?

Polos quais dixit Anselmus
et Seneca vandaliarum
et Plinius Caronicarum
et tamen glosa ordinaria
et Alexander de Aliis
Aristotiles De Secreta Secretorum

Albertus Magnus
Tullius Ciceronis
Ricardus, Ilarius, Remigius,
dizem, convém a saber:

Se tens prenhe tua molher
e per ti o compuseste,
queria de ti entender
em que hora há de nacer,
ou que feições há de ter,
esse filho que fizeste.

Não no sabes... Quanto mais
cometerdes falsa guerra,
presumindo que alcançais
os secretos divinais
que estão debaixo da terra.

Polo qual diz Quintus Curcius
Beda De Religioni Christiana
Thomas Super Trinitas Alternati
Agustinus De Angelorum Coris
Hieronimus De Alfabetus Hebraice
Bernardus De Virgo Assumptionis
Remigius De Dignitate Sacerdotum.

Estes dizem juntamente
nos livros aqui alegados:

Se filhos haver nam podes
nem filhas por teus pecados
cria desses enjeitados
filhos de clérigos pobres,
pois tens saco de cruzados!

Lembre-te o rico avarento
que nesta vida gozava
e no inferno cantava:
Água Deos... Água,
que lhe arde a pousada.
        Na segunda perte do Prólogo, o frade apresenta a peça, uma nova invenção, agora um pouco do nascimento da Igreja inglesa.
        Anuncia as entradas que se vão seguir, mas que antes entrarão alguns figurantes no lugar da acção dramática, - a Corte inglesa - com o cortejo real... Domine labia mea e Venite adoremos... No cortejo vem a figura de Thomas Cranmer vestido com capa alheia - ainda o trajo da Igreja de Roma, -  mas também... Quem terra pontus etera / ...
Mandaram-me aqui subir
neste santo anfiteatro
pera aqui introduzir
as figuras que hão de vir
com todo seu aparato.

É de notar
que haveis de considerar
isto ser contemplação
fora da história geral
mas fundada em devação.

A qual obra é chamada
os Mistérios da Virgem
que entrará acompanhada
de quatro damas com quem
de menina foi criada.

A uma chamam Pobreza
outra chamam Humildade
damas de tanta nobreza
que toda alma que as preza
é morada da trindade.

A outra, terceira delas,
chamam Fé per excelência.
À outra chamam Prudência…,
e virá a Virgem com elas
com mui fermosa aparência.

Será logo o fundamento
tratar da saudadação
e depois deste sermão
um pouco do nacimento
tudo per nova invenção.

Antes disto que dissemos
virá com música orfea,
Domine labia mea
e Venite adoremus
vestido com capa alhea.

Trará Te Deum laudamus
de escarlata um libré
Jam lucis orto sidere
cantará o Benedicamus
pola grã festa que é.

Quem terra pontus etera,
virá muito assessegado
num sendeiro mal pensado
e um gibão de tafetá
e uma gorra de orilhado.


Em este passo entra Nossa Senhora vestida como rainha com as ditas donzelas, e diante quatro Anjos com música, e depois de assentadas começam cada uma de estudar por seu livro...
Primeira parte da Comédia ...

... Ler o texto do Auto de Mofina Mendes de Gil Vicente
Thomas More
Nascimento da Igreja Inglesa
Sobre o Auto dos Mistérios da Virgem
Tomas_more
Natal de 1534

... em Mofina Mendes, ou conforme a designação dada por Gil Vicente, no Auto dos Mistérios da Virgem, o autor representa - na acção dramática a aprendizagem da doutrina pela Virgem - o nascimento da Nova Igreja Inglesa, como consequência do Acto de Supremacia (Act of Supremacy).
      De salientar a figuração de Thomas More como frade (louco pondo a própria vida em causa) dizendo para Henrique VIII que, se quer filhos que os adopte ou os compre (como aos escravos), e argumentando contra os catedráticos das Universidades europeias a quem o rei tinha requerido pareceres em seu apoio, a fim de legalizar o casamento com Ana Bolena.

(c) 2008 - Sítio dedicado ao Teatro de Gil Vicente - actualizado com o progresso nas investigações.
GrammarNet

- Livros publicados no âmbito desta investigação, da autoria de Noémio Ramos:

978-989-977499-5 - Gil Vicente, Auto dos Quatro Tempos, Triunfo do Verão - Sagração dos Reis Católicos.
978-989-977498-8 - Gil Vicente, Auto dos Reis Magos, ...(festa) Cavalgada dos Reis.
978-989-977497-1 - Gil Vicente, Auto Pastoril Castelhano, A autobiografia em 1502.
978-989-977496-4 - Gil Vicente, Exortação da Guerra, da Fama ao Inferno.
978-989-977490-2 - Gil Vicente, Tragédia de Liberata, do Templo de Apolo à Divisa de Coimbra.
978-972-990009-9 - Gil Vicente, O Clérigo da Beira, o povo espoliado - em pelota.
978-972-990008-2 - Gil Vicente, Carta de Santarém, 1531 - Sobre o Auto da Índia.
978-972-990007-5 - Gil Vicente, o Velho da Horta, de Sibila Cassandra à "Tragédia da Sepultura".
978-972-990006-8 - Gil Vicente, Auto da Visitação. Sobre as origens.
978-972-990005-1 - Gil Vicente e Platão - Arte e Dialéctica, Íon de Platão.
978-989-977494-0 - Gil Vicente, Auto da Alma, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II... 
(2ª Edição)
978-972-990004-4 - Auto da Alma de Gil Vicente, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II...

- Outras publicações:
978-972-990000-6 - Francês - Português, Dicionário do Tradutor. - Maria José Santos e A. Soares.
978-972-990002-3 - Os Maios de Olhão e o Auto da Lusitânia de Gil Vicente. - Noémio Ramos.



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Mapa do Sítio
© Noémio Ramos
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