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Gil Vicente O Teatro de Gil Vicente
O Teatro de Gil Vicente
...projecto
E pera declaração
desta obra santa et cetra...,
quisera dizer quem são
as figuras que virão

por se entender bem a letra.

... em  Romagem dos Agravados.
Renascença e Reforma - líderes políticos e ideológos - ideologia e História da Europa
Lendo o Auto da India de Gil Vicente
Ler Erasmo e Gil Vicente

As figuras
nas personagens dos Autos
- os protagonistas -
em Obras


As suas obras dramáticas,
a lista de todos os autos,
em Autos

Datação das obras, dos Autos de Gil Vicente
Gil Vicente, artista da Renascença, reinventor do Teatro
Projecto Gil Vicente - Europa
Esboço do projecto gilvicente.eu
Noémio Ramos, Julho de 2009 - actualizado em Junho de 2011

Resumo da ideia

        O objecto deste Projecto constitui-se pelo conteúdo e substância da obra dramática de Gil Vicente. O objectivo é dar uma forma concreta a cada uma das peças de teatro - encenando cada obra de arte - evidenciando a forma de cada uma delas, os seus significados e conteúdos, conforme a situação e a época em que foram criadas, respeitando os registos históricos existentes, tanto em encenações de época como de vanguarda actual. E, na concretização de cada peça encenada, apresentar, os estudos realizados e a sua integração no contexto global da obra de Gil Vicente, numa demonstração exaustiva da correcção dos estudos e análises realizados.
        Tomamos como princípio elementar que uma obra de teatro - e muito mais as peças que sucederam aos momos da renascença - não se pode estudar apenas pelo seu texto, ainda que as informações sobre a sua encenação sejam muito completas. Assim, consideramos que o estudo de uma peça de teatro se deve realizar em interacção com a possível encenação de época, e com o estudo da época, na arte, na cultura, na sociedade, na política, etc.. 
        Tomamos ainda como princípios funcionais no âmbito da Arte e da Cultura, o sentido (1) criativo do projecto com vista à (2) preservação do património artístico imaterial (teatro de Gil Vicente), à sua (3) divulgação, à (4) produção de objectos (de carácter cultural), para (5) comércio (venda), e sobretudo, à (6) formação qualificada nos vários domínios abrangidos pelo Projecto, nas várias Artes e Técnicas (TIC, Tecnologias da Informação e Comunicação) envolvidas, como também pela acção empreendedora na concretização do Projecto. 
Considerandos

        Tendo em conta as dezenas de peças produzidas por Gil Vicente e percebida a sua complexidade: consideramos que este projecto necessita de muitos anos (dezenas, dependendo do número de investigadores) e da formação de um grupo diversificado de colaboradores para se poder concretizar; consideramos ainda que o projecto pode e deve constituir uma ponte sólida (pelo seu objecto e objectivo) entre vários pilares do conhecimento: a Arte, a Filosofia, a investigação em Ciências Humanas, e as novas tecnologias (TIC); situando-se num futuro próximo, como um suporte sustentável do Ensino Superior qualificado, bem como embrião e interface entre o mundo académico e as empresas, podendo funcionar ainda como centro de recursos para as industrias criativas e culturais.
        Consideramos então que os meios a utilizar na sua concretização devem ser todos os necessários e, optimizados de forma que o projecto se concretize com sucesso.
        Consideramos por isso que, com o desenvolvimento do Projecto, todos meios utilizados podem e devem ser rentabilizados:
    1 - Com a produção de bens culturais, a produção para o mercado de objectos de cultura nos mais variados formatos disponíveis e invenção de novos formatos;
    2 - Com a produção de materiais que constituam suportes culturais na forma de objectos, de saber fazer e, de bibliotecas de recursos variados para apoio a terceiros em áreas como restauro do património artístico imaterial, edição de livros e audiovisual/multimédia (animação 2D e 3D), dramaturgia, artes plásticas, visuais e do espectáculo, arquitectura (cenografia), música, arquivo de documentação (investigação em Arte) histórica, filosofia e ideologias, etc. ;
    3 - Com a formação de recursos humanos a um nível superior do saber, e do saber fazer, integrando a formação na produção referida nos pontos anteriores, criando um espírito produtivo - produzindo objectos para o mercado - em todos os aspectos possíveis da actividade de formação envolvida no projecto; com a convergência de especialistas vários para a formação de profissionais que combinem um saber fazer combinado de competências em diversas áreas da cultura, criação artística e novas tecnologias (TIC);
    4 - Com a colaboração e intercambio com instituições europeias (Universidades, Instituições de Cultura, etc.) e do resto do mundo, no sentido de participarem ou colaborarem com o projecto, na produção de materiais, de estudos e ou de traduções dos produtos realizados;
    5 - Com a criação de laboratórios de inovação, de centros de investigação, de ensino altamente qualificado, convergindo para o estudo, recuperação (ou restauro) e utilização do património cultural imaterial de língua portuguesa, como para a produção de objectos de cultura comercializáveis;
    6 - Com a localização do núcleo central deste projecto em lugar descentralizado (com acessos de vizinhança com a Espanha, ou com Portugal no caso deste projecto se vier a desenvolver em Espanha - ou Brasil, América Latina, que com a Internet, se pode localizar em qualquer ponto do globo), a fim de garantir a dedicação exclusiva dos seus colaboradores e contribuir para um desenvolvimento regional;  
    7 - Com a divulgação global da obra dramática de Gil Vicente, distribuída como objectos de cultura de alta qualidade e através de versões acessíveis aos jovens em diversos níveis da sua formação;
    8 - Com a criação de bases de dados disponíveis na Internet, para aprofundamento generalizado e aberto ao mundo, dos estudos sobre a obra de Gil Vicente e sua divulgação;
    9 - Com a valorização de um dos maiores criadores europeus, isto é, com a apresentação pública do criador do teatro português, espanhol e europeu;
(etc.) ... 
        Há que considerar que, de um tal projecto, só ao fim alguns anos se poderá obter algum resultado, só a médio prazo (e melhor a prazo mais longo) se poderá verificar um primeiro retorno (entre 5 e 10 anos). E para que possa haver sucesso, naquele prazo mais curto, será necessária uma participação relevante de investimento, a par da tradução da língua original em muitos produtos acabados, como da necessidade de promoção e publicidade.

        Pensamos que um projecto, para ser bem sucedido, necessita de ter um bom miolo, um conteúdo motivador capaz de unir as sensibilidades de todos os colaboradores num mesmo objectivo, necessita de um bom objecto. E este pormenor (sem dúvida o mais importante) distingue este projecto, o seu objecto: a obra dramática de Gil Vicente. Este mesmo Projecto sem o seu objecto e objectivo, e sem o saber e saber fazer que permite especificar, organizar e expor o seu conteúdo, - o seu miolo - apresenta-se oco, vazio e condenado ao fracasso.
(especificações prévias) Projecto gilvicente.eu
Objecto e objectivo

        Este Projecto tem por objecto, todo o conteúdo e substância da obra dramática de Gil Vicente.
        Como objectivo principal, pretendemos apresentar a encenação de cada uma das peças de teatro de Gil Vicente conforme a situação e a época em que foram criadas, tal como o seu autor nos deixou especificado e respeitando, tanto quanto possível, todos os registos históricos existentes.
        Pretendemos com este Projecto apresentar publicamente estudos incidindo sobre as peças de teatro de Gil Vicente, em demonstração exaustiva da correcção da análise de cada uma das peças, bem como do todo da obra do dramaturgo, evidenciando a forma de cada uma delas, os seus significados e conteúdos.
        Trata-se de realizar um restauro, ou no estado actual do conhecimento, o possível restauro, baseado numa análise da época - histórica, política, ideológica, social e cultural - realizada com o maior rigor.
        O objectivo é concretizar o objecto dos nossos estudos.
        O objectivo é dar forma concreta a cada uma das obras de arte que constituem as peças de teatro criadas por Gil Vicente.
        Só na sua forma concreta - encenadas - as suas peças podem evidenciar e transmitir os vários significados das suas particularidades (os lugares, espaço e tempo, acções, confrontos, diálogos, pausas, etc.), só encenadas com o rigor dado pelo seu autor podem oferecer ao público a acção dramática, as suas motivações, as intenções, os seus conteúdos, etc.. Enquanto tomarmos apenas os textos das peças de Gil Vicente, apenas verificamos serem insuficientes para uma leitura da acção de cada um dos autos, porquanto a forma de cada uma das suas peças de teatro não se delimita nem se resume à letra do seu texto.
        Em 2008, numa das nossas publicações, afirmámos que só com uma encenação rigorosa das peças se podia realizar uma leitura mais correcta da forma de cada auto, e só pela forma (da obra de Arte) de cada obra dramática - incluindo sempre a acção dramática que se desenrola na peça - se podia atingir os seus significados e conteúdos. Só uma encenação rigorosa das obras tal como Gil Vicente nos ensina, e tal como a nossa experiência já nos mostrou, poderá evidenciar muitos dos pormenores que, mesmo após variadíssimas leituras dos textos, sempre nos vão de algum modo escapando.
        Trata-se, portanto, de encenar as obras de Gil Vicente desenvolvendo um recriar da forma como uma tarefa interactiva ao seu estudo, num processo de investigação experimental, com a reconstrução (restauro) do objecto de cada uma das suas obras, concretizando a forma mais correcta do objecto em estudo, tal como o artista plástico cria a sua obra - tal é a metodologia desta investigação - contudo, substituindo a liberdade do artista pelo rigor científico no cumprimento da obra dramática ligada à sua época (história, sociedade, cultura, etc.), ao seu meio e ao seu autor.

Justificação (motivação)

        Apesar dos variadíssimos estudos sobre as obras de Gil Vicente até agora produzidos, e das repetidas encenações de alguns (um número muito limitado em relação à enorme produção do autor) dos textos de Gil Vicente, nunca se concretizou com sucesso um estudo que pudesse envolver uma visão global da sua obra, e muito menos, que nos oferecesse uma leitura unificada do seu trabalho artístico no âmbito do teatro europeu.
        Consideramos importante e urgente que Portugal, ou Espanha, façam alguma coisa para que o nosso meio cultural comum, Ibérico, tome conhecimento da forma concreta de cada uma das peças de teatro de Gil Vicente, e ao mesmo tempo as façam divulgar - promovendo e apoiando a produção desses objectos de cultura ibérica - pela Europa e pelo Mundo. Não apenas os textos dos diálogos, mas a obra dramática, evidenciando o seu valor de forma didáctica. Mostrar e dar a conhecer a obra de um dos grandes criadores europeus, já considerado o maior do seu tempo (1502-1536), numa época que Portugal e a Espanha iniciam a globalização do Planeta.
Orgânica para o projecto - o essencial - os meios

        Dada a complexidade e a extensão da tarefa, ela foi por nós planeada de modo a poder ser concretizada da forma mais racional e económica. Ainda assim, haverá custos significativos, em especial em recursos humanos.
        No sentido de aproveitar e rentabilizar todos os meios necessários ao Projecto, pensamos que a criação de uma instituição (que designaremos por iGV - empresa, fundação, associação - núcleo, …) para desenvolver esta tarefa seria o ideal.
        Porque se alcança o objectivo com a produção do objecto do Projecto:
    a) Os estudos sobre a obra dramática de Gil Vicente (em desenvolvimento), na realidade concretizam-se com a produção de objectos, a produção de bens culturais na forma concreta de objectos de divulgação cultural.
    b) Trata-se de recriar e desenvolver, mas também, e como consequência do trabalho em desenvolvimento, de alargar o saber fazer necessário à concretização da encenação (de época e outras novas e inovadoras) das obras de Gil Vicente.
    c) Uma instituição pode realizar parcerias com outras entidades; uma instituição poderá ser um suporte para terceiros naquelas técnicas e tecnologias que se vão desenvolver, criando várias formas possíveis de colaboração.
    (Os pontos a seguir tornam-se claros com a leitura completa do projecto)
    d) Os meios criados para este fim podem, e devem, vir a ser o embrião de novos empreendimentos do mesmo género, de novos projectos: (1) funcionando em linhas de produção; (2) cedendo produtos desenvolvidos a terceiros; (3) realizando formação qualificada, etc.
    e) Os produtos realizados e distribuídos, os objectos como bens de cultura, podem ser cedidos às várias instituições culturais (bibliotecas, centros de recursos, escolas, etc.) ou vendidos.
    f) Os produtos, em versões para serem divulgadas na Internet, podem ser adaptados, ou em todo o seu conteúdo ou apenas em parte, como forma de divulgar a informação ou como promoção dos primeiros produtos de alta qualidade.
    etc. …

Observação

        Considerando as dezenas de peças de teatro de Gil Vicente, o tempo necessário para realizar uma encenação de época de cada um dos autos, além dos estudos e pesquisas necessárias ao completar e concretizar de cada encenação, devemos lembrar que esta é uma tarefa para dezenas de anos, pelo que só uma instituição (iGV) vocacionada especificamente para o efeito pode garantir uma continuidade e, em termos de desenvolvimento, especializar-se progredindo em qualidade.
Especificando o trabalho a desenvolver
- Tarefas de princípio da iGV

    1 - Tarefas dirigidas ao objecto: a obra dramática de Gil Vicente.
    1.1 - Estudo, pesquisa (histórica, política, ideológica, social e cultural), produção e edição dos textos de análise de cada auto.
    1.2 - Pesquisa da música, letra e composições, instrumentos… Recuperação possível e alternativas temporárias e ou de circunstância…
    1.3 - Encenação de época em termos de recuperação do original, após pesquisa dos elementos necessários (figurinos, trajes, adereços, cenários, etc.).
    1.4 - Apresentação para a Europa: a) seja a tradução dos textos de análise de cada auto; b) seja a sua encenação com apresentação através de tradução em legendagem ou dobragem.
    1.5 - Desenvolvimento do Sítio Internet, com a criação de uma base de dados de cada auto: com suporte analítico, os textos das obras, relacionamentos da época (local, tempo, acção; representação; história, política, ideologias, estatuto social e cultural; figurinos, trajes, adereços, cenários, etc.), apresentação de vídeos, etc..

    2 - Como resultado da concretização das tarefas da instituição iGV obtêm-se os objectos produzidos, a publicar e distribuir.
    2.1 - Uma publicação sobre cada uma das peças de Gil Vicente que deve conter as pesquisas e a leitura analítica da peça, o texto da peça, uma ideia como proposta de encenação da peça, etc..
    2.2 - Uma encenação de cada peça - em conjunto com (2.1) a publicação do estudo de pesquisa e análise da peça - em vídeo, formato de arquivo digital (DVD, ou tecnologia que o venha a substituir).
    2.2.1 - Os objectos assim constituídos (2.1 e 2.2) devem constituir um pacote, devidamente identificado para reprodução.
    2.2.2 - A reprodução do produto final (2.2.1) para distribuição será realizado por uma empresa gráfica, por concurso ou consulta ao sector.
    2.3 - Os objectos referidos nos números anteriores devem ser traduzidos nas línguas europeias (legendagem nos vídeos), empacotados e tratados de modo a poderem ser exportados para a Europa (ou localmente - países europeus - reproduzidos sob contrato com editoras locais) e resto do mundo.
    2.4 - Embora já não como consequência das tarefas referidas em (1), o Sítio Internet deve também ser reproduzido em “espelhos” traduzidos, pelo menos para o Castelhano e Inglês, mas também nas línguas em que houver tradução e reprodução dos produtos finais.

Especificando meios e outros requisitos

    1 - Para a produção dos textos de análise e recuperação das obras de Gil Vicente, sua edição, publicação, publicidade e distribuição.
    a) Há necessidade de alguns colaboradores efectivos; pois, em termos de garantia de produção, a parceria com as universidades é sempre muito problemática, de resposta muito lenta e cheia de obstáculos de natureza variada, cuja resolução será sempre alheia à instituição iGV.
    b) Há necessidade de colaboração internacional, contudo, reduzida aos investigadores da obra de Gil Vicente creditados e interessados no Projecto.
    c) Há necessidade de uma pequena estrutura editorial (editora própria dada a especificidade do trabalho - um elemento designer gráfico).
    d) Há necessidade de apoio à gestão administrativa e marketing.
    1.1 - Para a apresentação das obras de Gil Vicente à Europa; a sua história cultural, política, ideológica e social: a sua época.
    a) Elaboração de uma Cronologia dos acontecimentos históricos, políticos, ideológicos, sociais, culturais, etc. (Trabalho em boa parte já realizado).
    b) Elaboração das biografias resumidas das principais personalidades da vida política e social da época. (Trabalho em curso e em pequena parte realizado).
    c) Identificação da vida cultural vivida na época e dos seus principais animadores, não a leitura que se fez posteriormente, ou hoje se faz daquela época. (Trabalho sempre em curso).
    d) Identificação dos movimentos ideológicos (e religiosos) da época ou anteriores. (Trabalho em curso).
    1.2 - Fortalecimento do suporte (o saber e saber fazer, hoje detidos pelo autor do projecto e por outros) com vista a dirigir e orientar a investigação, o desenvolver do conhecimento sobre a arte dramática de Gil Vicente e das suas relações com a literatura e as ideologias da época.
    1.3 - Confronto com o “saber estabelecido”, detido pelas universidades e “imposto” a qualquer galileu, tendo em vista a revisão e actualização das enciclopédias no que respeita a estas questões. Lançamento e desenvolvimento do debate temático (sobre os autores da época).

    2 - Para o restauro possível da produção dramática de Gil Vicente.
    2.1 - Cada encenação terá de recriar cada obra do autor (Gil Vicente), recuperando a peça em conformidade com a sua criação na época. No início não se tratará de criar novas encenações, mas de recriar as encenações possíveis ao autor dos autos, tendo como objectivo a produção de um objecto vídeo.
     a) Uma encenação produzida para montagem vídeo, de Teatro profissional e/ou amador, só eventualmente e em casos bem amadurecidos.
     b) Uma encenação produzida em vídeo com actores (profissionais e/ou amadores), pode eventualmente conseguir bons resultados.
     c) Uma encenação em produção vídeo, em desenho animado 2D, ou em animação 3D, tornará mais exequível a recuperação e restauro das obras, dado o grau de interacção do investigador com o objecto da investigação.
    2.2 - Considerando que qualquer das hipóteses não anula as anteriores, é preferível iniciar pela terceira (2.1.c), pois é a mais económica e mais eficaz.
     a) Necessidade de alguns colaboradores qualificados, sob prova para ingresso no Projecto. Trabalhando em paralelo atingem-se mais depressa os objectivos.
     b) Constituir um núcleo cuja vontade e objectivo seja o trabalho produtivo - o fazer, - tendo em vista o desenvolvimento de saber fazer específico, que se concretize em estruturas de formação (na produção) e apoio, tanto a novos colaboradores como a estagiários nas áreas envolvidas no Projecto.
     c) Em colaboração com os investigadores, preparar os suportes e fontes para imagem, som, cenários, figurinos, linguagem, música, canto, informática, etc..
     d) Em colaboração com os investigadores, planear a produção de cada encenação e a sua publicação em paralelo com a edição dos livros.
     e) Suporte técnico não especificado, comum ao suporte em gestão administrativa e serviços de apoio geral, etc..
    2.3 - Necessidade de instalações, algum equipamento de vídeo (câmaras, tripés, etc.), de iluminação, de som, computadores e outro material informático e variado software (livre de patentes por preferência) apropriado a cada tarefa e técnica de produção.
    2.4 - Necessidade de alguma formação inicial dos colaboradores no uso de software específico a ser usado no Projecto.
    2.5 - Necessidades específicas em materiais variados de uso comum para recriação de modelos, manequins (bonecos) de suporte a cada peça.

    3 - Logo de início o Projecto tem de integrar o Português e o Castelhano (espanhol), as duas línguas são obrigatórias mesmo nas outras traduções.
    a) Consideramos ser necessária a colaboração de espanhóis de nascimento, criação e formação (contamos já com um elemento nestas condições).
    b) Inversamente se o Projecto se desenvolver em país de língua espanhola, será obrigatório a colaboração de nascidos na língua portuguesa.
    c) Para o caso das restantes línguas, utilizadas por Gil Vicente nos autos, como o latim, o picardo, etc., pode-se proceder a consultas em caso de existirem dúvidas sobre a bibliografia já existente sobre o assunto.
    3.1 - Dado que a obra de Gil Vicente se desenvolve tendo por base as duas línguas, português e castelhano (espanhol), todo o projecto se pode desenvolver, prioritariamente, numa ou noutra língua, tudo dependendo daquele que for o principal financiador do projecto.
    a) Indispensável um núcleo de Castelhano e/ou de Português e de estudo da cultura ibérica (contamos com colaborações em cada uma destas línguas e especialistas na sua cultura). 
    b) Numa primeira fase, a tradução dos livros de análise das peças e a legendagem dos vídeos, obrigatória em Castelhano/Português. Numa segunda fase, Inglês e Francês, etc..
    c) Dada a divulgação do Inglês é importante dispor, desde o início, de bases efectivas (colaborador) para desenvolver o projecto nesta vertente, em especial no que se refere à divulgação na Internet.
    3.2 - Com o desenrolar do Projecto, no seu amadurecimento, e com a direcção exclusiva da prevista instituição, a iGV, esta deverá requerer a colaboração com as universidades, em parceria com instituições de países Europeus, PALOP, Latino-americanos e outros... Tendo por objectivos:
    a) Divulgar a obra de Gil Vicente, o conhecimento dela e do seu autor.
    b) Estabelecer pólos de interesse e de contacto nos vários países (Univ. IC).
    c) Traduzir, produzir e distribuir os produtos (objectos), os bens culturais, nos respectivos países.

    4 - Definição e construção de uma base de dados em suporte informático, e disponível na Internet, para consulta e actualização permanente de estudos, com perspectivas analíticas da obra dramática de Gil Vicente, artigos de crítica, textos das obras e excertos dos vídeos produzidos, como marketing, etc..
    a) Necessidade de um pequeno núcleo de informática (iniciando-se com um elemento, sujeito a prova de ingresso), com saber fazer específico, e operadores necessários ao tratamento e manutenção dos dados. Também com as tarefas de controlo e manutenção das contas de alojamento na Internet, actualizações, etc. ...
    b) Esta vertente do Projecto (Internet) tem de ser desenvolvida (no seu todo) em software livre, garantindo a sua fácil e rápida mudança de servidor, de alojamento e de qualquer fornecedor Internet. (Tal como já o iniciámos, a custos de Internet quase insignificantes, de equipamentos e de software).
Especificando a concretização do Projecto e instituição da iGV, prevendo o seu aproveitamento útil…

A - Em termos internos à instituição iGV

    1 - Por cada peça (auto de Gil Vicente) será iniciada uma linha de produção.
    2 - Cada linha de produção será subdividida (grupos de trabalho) consoante as técnicas específicas que comporta a produção de um pacote (objecto), investigadores, criadores: livro, DVD da encenação, material para a Internet.
    3 - Cada linha de produção será tratada como um projecto, aplicando-se as respectivas técnicas de controlo de projectos (incluindo mapa de Gant).
    4 - No decorrer do desenvolvimento de cada projecto (linha de produção), os lapsos de tempo de espera de um grupo de trabalho, se os houver, serão usados para: a) trabalho noutra linha de produção entretanto iniciada; b) apoio especializado à formação; c) conclusão de recursos de suporte aos projectos e seu arquivo, em bibliotecas de recursos e objectos técnicos e de Arte.
    5 - As equipas técnicas e os recursos desenvolvidos poderão servir outros projectos exteriores à instituição, sendo a iGV devidamente recompensada.
    6 - A instituição iGV, será desenvolvida como uma Escola-Empresa produtora de objectos de cultura, criando em paralelo - estabelecendo parceria com as universidades - um curriculum de pós-graduação em investigação na área das Artes, na sua orgânica e no saber fazer dedicado às Artes, criando um programa de Estágios com participação de docentes e discentes de outras instituições.
    7 - Com o seu desenvolvimento, a instituição iGV poderá (deverá) acompanhar grupos de teatro, amador ou profissional, de modo a levar aos palcos algumas das peças de Gil Vicente, produzindo em parceria com os respectivos grupos ou Companhias de Teatro profissional os vídeos dessas peças para venda generalizada.
    8 - Com tudo isto queremos dizer que deverá ser criada uma marca (qualidade) que certificará as peças produzidas pela instituição iGV, e aquelas produções teatrais que tiverem a sua colaboração e ou a sua aprovação.
    9 - Tendo em vista a certificação da produção ou da instituição iGV, esta acordará com a sua tutela - MC (?) de Portugal ou de Espanha, ou de outro país de uma das línguas - e com as universidades, na criação de um Conselho Consultivo, ou de Certificação, composto pelos especialistas em Gil Vicente e no teatro quinhentista das universidades de Portugal e/ou de Espanha ou de terceiros das mesma línguas.

B - Em termos exteriores à instituição iGV

    1 - A criação de uma Escola-Empresa como modelo (e ou experiência piloto), produtora de bens (meios de produção e bens consumo), constituindo ao mesmo tempo, uma instituição de formação, tendo por base a produção efectiva de recursos humanos, qualificados pelo saber fazer, e dos respectivos bens de consumo, de meios de produção e recursos materiais para satisfazer outras actividades da mesma ordem, constituirá um pólo dinamizador de desenvolvimento do país, pela expansão e aprofundamento da sua cultura, como centro de irradiação do conhecimento, do saber e do saber fazer.
    2 - Os novos recursos humanos, qualificados pela iGV, acompanhando e participando na produção dos bens de consumo e conhecendo de perto o seu estudo e planeamento, contariam no seu futuro com o apoio dos serviços e o acesso aos recursos técnicos (bibliotecas de recursos vídeo, informáticos, históricos, literários, artísticos, etc.), pertencentes à instituição iGV. Contudo, com os estágios concluídos, os formandos poderão eles próprios criar as suas empresas com as suas próprias linhas de produção, com objectos e objectivos diferentes.
    3 - Muitos dos produtos culturais criados, assim como os recursos criados com os objectivos deste Projecto, como também a própria formação de recursos humanos, uma vez concretizados, podem constituir objecto de receita, como por exemplo:
    a) Com a produção de objectos de cultura especializados, englobando os muitos aspectos da obra de Gil Vicente: históricos, políticos, sociais, filosóficos, etc., publicações em livros e em suporte digital para múltiplas finalidades, incluindo programas destinados aos media.
    b) Com a produção de objectos de cultura de marca, podem ser produzidas as versões didácticas, de níveis diferentes, para crianças, jovens, e para o grande público nacional, europeu e global, destinados aos vários mercados e aos media.
    c) A par das versões didácticas podem ser produzidos objectos com a informação documental, histórica, artística, biográfica daqueles que são figurados nas personagens das peças (x, y ou z, vistos por Gil Vicente, i.e., Carlos V, Henrique VIII, Francisco I, Fernando de Habsburgo, João III, Clemente VII, Erasmo, Lutero, etc., vistos por Gil Vicente) em formato de livro, em suporte digital, em vídeo documental, vídeo de animação...
    d) Pela encenação em palco, em cinema ou vídeo das peças de teatro, e de divulgação da documentação produzida, pelos direitos de marca adquiridos.
    e) Cursos de pós-graduação com frequência obrigatória e aprovação pela concretização de objectos de qualidade, consequência dos projectos de cada formando, angariando receitas das propinas e da propriedade participada dos próprios objectos produzidos.
    f)  etc..
    4 - Uma actualização constante dos meios e materiais necessários à produção pode constituir uma despesa sempre necessária. Todavia, a informação, o conhecimento e a formação técnica inicial na utilização das novas tecnologias hoje disponíveis será indispensável no arranque da instituição, assim como a actualização permanente de todos os colaboradores.

Observação - comentário
Sempre considerámos que qualquer que fosse a formação ela só se tornaria efectiva e eficaz quando realizada com o respectivo processo de trabalho produtivo a que a formação se pretende aplicar. Sempre considerámos haver desperdício de recursos e ineficácia nos programas de formação fora de um contexto de uso e produção de valor material ou acrescentado.

Conclusão

    Especificamente, prevê-se uma instituição iVG, Escola-Empresa, Empresa, Fundação (?), dirigida para a investigação, restauro e divulgação da obra dramática de Gil Vicente, mas também para a investigação, desenvolvimento e produção de bens culturais. Uma Escola para formação dos recursos humanos para a investigação nas áreas das Artes e para a produção de bens culturais que utilizem meios técnicos semelhantes e saberes semelhantes, portanto, uma Entidade produtora de bens culturais, vocacionada para o desenvolvimento de recursos técnicos e humanos.
Em resumo, considerando uma perspectiva de Inovação...

        Este projecto pode ser visto, pelo seu embrião, como uma micro-empresa que se perspectiva numa pequena empresa e se constitui como Escola… Que poderá transformar o panorama do ensino - formação, produção de recursos humanos - e mesmo toda a produção de bens culturais e materiais. Numa perspectiva de futuro, o modo como a sociedade encara a produção de qualquer objecto, seja produto industrial seja produto da terra, podendo constituir este novo tipo de Escola (média e superior), a Escola-Empresa, o lugar mais adequado ao projecto e produção de quaisquer bens sociais destinados ao mercado. 

        Com a recuperação das obras de Gil Vicente pretende-se também, a par de desenvolver a investigação em Arte, criar e desenvolver o saber e o saber fazer em áreas importantes da criação lúdica e cultural da actualidade: as artes conjugadas na produção de objectos de cultura, a produção vídeo e a animação 3D.
Tais técnicas necessitam, para o seu desenvolvimento, da formação de recursos humanos muito especializados e da criação de um saber fazer apropriado, mas sobretudo de um objecto e de um objectivo específico, um objecto muito concreto a desenvolver. Neste caso as obras de Gil Vicente constituem portanto uma motivação e um objectivo, e oferecem uma grande variedade de objectos (que se conjugam em cada peça de teatro) em suportes muito reais para a criação, formação e inovação nestas áreas.
Situação actual

        Há centena e meia de anos que os estudiosos se debatem sobre as obras de Gil Vicente, e o debate abrange os mais variados aspectos: o tratamento dos textos, a forma dos textos e dos diálogos, os seus significados, as fontes do autor, o simples entendimento do texto da obra, etc., considerando o pensamento actual e o da época, tentando deslindar aquilo que cada peça exprime, representa e comunica.
        Apesar de algumas (muitas) discordâncias entre os analistas, foi tacitamente aceite a ideia romântica - criada pelo romantismo - de um Gil Vicente no crepúsculo medieval, e desta ideia se criou e se definiu um homem. Assim, ainda hoje, uma figura imaginária personifica o autor dos autos e, é esta figura que surge representada nas enciclopédias e que se fornece no ensino, nas escolas, em quase todos os níveis da aprendizagem e da investigação. Enquanto que, dos autos se fornece, em geral, uma leitura simples para gente simples, com carácter popular. As investigações mais recentes vêm demonstrar, claramente, quão erradas estão as ideias estratificadas sobre o autor e sobre as suas peças de teatro. 
        Torna-se, portanto, necessário e urgente iniciar o trabalho de apresentação das peças de teatro, recriadas conforme a sua época, o seu meio social, e no seu entendimento e, tanto quanto possível, tal como o autor as terá encenado.
Para o trabalho de transformação das mentalidades, de aprofundamento do saber sobre a obra de Gil Vicente, consideraríamos útil a colaboração - na sua actividade de docentes universitários (ou mesmo outras, integradas na instituição iGV), mas, sobretudo como especialistas - de Professores da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, do Centro de Estudos de Teatro, bem como o eventual apoio institucional destas universidades no que respeita ao intercambio com as congéneres no estrangeiro.

        Contudo, há também que dar ao Mundo (mostrar e demonstrar), sobretudo ao país e à Península Ibérica, toda a obra de Gil Vicente, tal como ela deve ser lida, vista, entendida, apreciada…
        E é para esta a tarefa que propomos a criação de uma “instituição”, iGV.


Percursos dos trabalhos realizados

        Como antes descrevemos, há algum trabalho efectuado pelo grupo de pessoas agregadas à investigação dirigida pelo autor destas linhas.

    1 - Trabalhos relacionados com a História da Europa, em aspectos políticos, sociais, ideológicos, filosóficos, culturais, etc..
    a) As leituras de Platão e Aristóteles, tendo presente que Platão era o filósofo influente no Renascimento… Um trabalho em grande parte já realizado, mas sempre necessitando de outras (outros autores com) novas abordagens.
    b) Uma Cronologia dos acontecimentos históricos, políticos, ideológicos, sociais, culturais, etc.., um trabalho em boa parte realizado, conta já com cerca de 19.000 palavras em mais de 4000 linhas de texto.
    c) Estão recolhidas algumas biografias resumidas das principais figuras da vida política, social e cultural da época, faltando ainda dados biográficos importantes de muitas das personalidades da época.
    d) Um trabalho com vasta compilação, mas sempre necessário (inacabável), é a identificação das ideias, temas, conceitos, assuntos, etc., da vida cultural vivida na época e dos seus principais animadores, não a leitura que se fez posteriormente, ou que hoje se faz, daquela época. Apresentação do pensamento dominante (e seus autores) do século XV e XVI, sempre a ser estudado em leituras da época.
    e) Em fase inicial está a recolha de dados sobre os conflitos ideológicos e políticos por dentro da Igreja (dogmas, evolução dos conceitos, concílios, Papas, lutas internas, etc.), ao longo da sua história, e em especial a Reforma

    2 - Trabalho relacionado com a cultura popular da época.
    a) Em estudo indirecto (pela literatura e outros textos, Ordenações, Processos, etc.) e em estudo pelas tradições de carácter popular e regionalismos que ainda hoje se podem encontrar.
    b) Neste sentido publicámos: Os Maios de Olhão e o Auto da Lusitânia de Gil Vicente (isbn 978-972-990002-0), Maio de 2005, Noémio Ramos. Cultura popular que ainda reflecte manifestações do tempo de Gil Vicente presentes em muitas das suas obras dramáticas. 

    3 - Trabalhos relacionados com a obra dramática de Gil Vicente.
    a) Com o estudo da obra de Gil Vicente, e dos autos quinhentistas, foi identificada nas suas obras uma linha condutora que, presente em todos os autos, acompanha a História da Europa bem em cima dos acontecimentos. Esta linha permitiu ordenar e datar correctamente os autos, identificar autos anónimos como de Gil Vicente, e sobretudo permitiu identificar o mythos (fábula, enredo, trama…) de cada peça, identificando também as suas personagens como personalidades da época, os políticos, os ideólogos, etc., a par das alegorias, entidades religiosas e outras figuras.  
    b) Numa segunda fase do processo de análise dos autos, interpretou-se o carácter do Preâmbulo e do Epitáfio da Copilaçam de 1562, e apresentámos a análise do Auto da Alma (1508), publicado em Julho de 2008, para assinalar os 500 anos do primeiro auto de Gil Vicente escrito em Português. Assim:
        (1) Gil Vicente e Platão, Arte e Dialéctica, Íon de Platão (isbn 978-972-990005-1). Noémio Ramos realiza a análise e apresenta a acção dramática do Íon de Platão. Demonstra a retórica de Gil Vicente e as suas fontes em Platão.
        (2) Auto da Alma, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II (isbn 978-972-990004-4), Noémio Ramos. Onde se apresenta um resumo das tramas de alguns dos autos, se identifica a presença de Erasmo, Lutero e outros, figurados em personagens das cenas (e no mythos) de alguns dos autos, etc..
    c) Em paralelo escreveram-se os textos de análise dos autos, pela ordem cronológica da sua criação, e prepararam-se (aguardando verbas e design gráfico para a sua impressão) para publicação os seguintes títulos:
        (1) Visitação (1502) - (já publicado em Março de 2010). 
        (2) Pastoril Castelhano (1502)
        (3) Reis Magos (1503)
        (4) Quatro Tempos (1503)
    Acompanhando os textos destas publicações, preparou-se uma leitura (de época) da Poética de Aristóteles, bem como outros textos abordando aspectos e acontecimentos históricos importantes para a compreensão destas obras.
    d) Com os 500 anos do Auto da Índia (1509), o primeiro auto bilingue em português e castelhano, publicou-se na Internet,
www.gilvicente.eu em formato PDF (para reprodução livre), um artigo com uma nossa primeira leitura deste Auto, e remeteu-se ao Senhor Ministro da Cultura uma cópia em Junho de 2009.
    e) Entretanto prepara-se para publicação:
             Clérigo da Beira (Pedreanes) e
             Auto da Festa (Gil Vicente e o erasmismo em Espanha e na Europa),
    … trabalhos onde se apresentam também alguns resumos dos autos que, com estes, mais directamente se relacionam na mythologia criada pelo autor.

    f) Em continuação do progresso dos estudos, em Março de 2010 publicámos:
        (1) Gil Vicente, Carta de Santarém de 1531 (isbn 978-972-990008-2) Noémio Ramos, completando a análise da prosa conhecida do autor, analisando a descrição dos acontecimentos e o pensamento exposto pelo autor.
        (2) Gil Vicente, o Velho da Horta, de Sibila Cassandra à “Tragédia da Sepultura” (isbn 978-972-990007-5) Noémio Ramos apresenta a análise completa do Auto do Velho da Horta de 1512, corrige a datação de Sibila Cassandra para o natal de 1511, apresentando uma sinopse muito completa do mythos (enredo e trama) deste Auto e, ainda, uma breve descrição da motivação dos restantes autos de natal de Gil Vicente e alguns outros autos tidos por religiosos.
        (3) Gil Vicente, Auto da Visitação, Sobre as origens (isbn 978-972-990006-8), Noémio Ramos apresenta a análise do Auto da Visitação com a metodologia da análise científica de uma obra de Arte e da análise do texto da obra, os fundamentos e as origens da arte de Gil Vicente. Em apêndice uma leitura resumida da Poética de Aristóteles. 

    g) Entre 2008 e 2010, com o grupo geiagil (
www.extar.net), criámos o Sítio Internet www.gilvicente.eu e, de parte do trabalho desenvolvido, publicámos na Internet o correspondente ao publicado em livro, mas com mais alguns pormenores que vão além do impresso em livro. Em verdade, se não adiantamos mais na Internet é porque necessitamos garantir a autoria dos trabalhos através do Depósito Legal, e este só é possível com a publicação impressa, o que nos leva a maiores despesas.

    h) Em desenvolvimento encontram-se os trabalhos de preparação dos suportes e meios indispensáveis para uma encenação de época do Auto da Visitação (1502), criando um guião - para filme de animação em vídeo - a fim de ser publicado com o vídeo HD a ser produzido (com a concretização do Projecto).

Reflexos públicos e eruditos das nossas publicações

        Cinco anos após a nossa primeira publicação e dois anos depois dos dois livros de 2008, contavam-se até há pouco tempo ainda pelos dedos das mãos os seus reflexos nos meios intelectuais portugueses…
        Ao público em geral e às bibliotecas ou às escolas (mesmo às universidades) as nossas publicações não chegam. Os livreiros (por pressão de algumas editoras) apenas estão interessados em divulgar e expor o que se repete constantemente nas TVs, o futebol, o crime, a vida de um ou de outro, as intrigas e os escribas e escritores de moda, a propaganda e a auto promoção dos políticos…
        De algumas dezenas de eruditos (60) das universidades a quem quisemos oferecer exemplares das publicações (Portugal e estrangeiro, conforme a lista muito parcial disponível na Internet), e de outros que as adquiriram, obtivemos algum reflexo animador, suficiente para continuarmos o nosso trabalho. Contudo, muitos, em especial os especialistas das academias portuguesas, responderam pelo silêncio.

        Ficámos mais satisfeitos com a quantidade sempre crescente de visitas, e sobretudo as recolhas dos nossos textos (parte dos livros) efectuadas no Sítio
www.gilvicente.eu, porque vindos de diversas cidades do Brasil, dos USA (Califórnia, Texas, Florida, Nova York), Canada, Inglaterra, Bélgica, Holanda, Espanha, Itália, França, Argentina, México, etc., (talvez um reflexo das nossas ofertas aos professores de algumas das universidades). E mais satisfeitos ainda, quando nos enviam emails a solicitar apoio para trabalhos sobre textos de teatro quinhentista, aos quais nós temos respondido com o maior agrado com o fornecimento de documentação, de bibliografia e de ligações Internet.
        Deste modo, temos perspectivado o nosso trabalho sobretudo neste contexto, pela via Internet, desenvolvendo-se em expansão universal (na língua), ganhando público, e encontrando lugares de sapiência, gente interessada em descobrir o saber… Pois, quem não acompanha, repudia, omite ou tenta silenciar um qualquer galileu, protegendo os seus quintais do desconhecido, acomodando-se ao “saber instituído” e aos lugares comuns feitos de leituras, sobre leituras e leituras mal realizadas (academias, organismos públicos e privados ligados à cultura, comunicação social, etc.), estará apenas a classificar e comprometer a sua própria “sabedoria”, a sua atenção ao mundo cultural da actualidade da ciência e investigação em Arte, a sua capacidade de leitura, interpretação e absorção do saber, perante as futuras gerações… Queremos lembrar que a nossa primeira publicação data de Junho de 2005, conta agora com mais de cinco anos!
        É possível que alguns dos especialistas que, há cinco ou há dois anos, recusaram a correcção das nossas análises, se vejam agora comprometidos e se voltem a calar, tentando silenciar o galileu. Contudo, quanto mais tarde aceitarem a realidade e a correcção nossas das análises, que continuaremos a expor, mais comprometem as suas próprias capacidades e competências.

        Com a concretização deste Projecto - do qual já antes havíamos apresentado um esboço em conversa com alguns dos especialistas das nossas academias - ou sem que este Projecto se concretize em Portugal, com as nossas publicações, datadas e entradas na Biblioteca Nacional de Portugal (Depósito Legal), marcámos o ponto de viragem histórico (2005 - 2008), assim definindo o momento histórico-cultural do corte epistemológico (2008) nos saberes sobre Gil Vicente e o seu teatro, no estado da arte, no progresso da investigação científica sobre o teatro de Gil Vicente.
        E com os textos apresentados em
www.gilvicente.eu - trabalhos colocados em domínio público, contando com os pedidos por email conta já com alguns milhares de downloads mensais, - o nosso trabalho tem tido uma expansão inédita, e o seu desenvolvimento vai adquirindo cada vez mais público, e cada vez mais qualificado, as ideias expostas adquirem mais universalidade, o mundo cultural português vai-se transformando.
        O tempo de permanência em cada página, o número de páginas consultadas e o exponencialmente crescente número de visitas a
www.gilvicente.eu, apesar de o motor Google (talvez atendendo a pedidos de alguma academia portuguesa), exercendo uma feroz censura, apresente o nosso Sítio, na pesquisa por “Gil Vicente”, em média - dados fornecidos pelo Google, - a partir da décima segunda página (além do centésimo lugar, enquanto que o Sapo.pt nem o apresenta nessa pesquisa), testemunham bem o progresso na divulgação do nosso trabalho, pois que, as mais das vezes, a grande maioria dos visitantes divulgam o Sítio, possivelmente por email, informando os colegas e amigos, que acedem ao Sítio directamente pelo nome do domínio, e, de momento, o Sítio www.gilvicente.eu conta já, agora, em crescimento exponencial, com mais de oitocentos apontadores directos.  

Planeamento em curso - comentário final

       Conscientes que este nosso Projecto encaixa bem nos requisitos recomendados para a criação de uma indústria cultural, decidimos apresentar a ideia, todavia, não obtivemos qualquer resposta, nem do Ministério da Cultura, nem das outras instituições contactadas. Dois anos decorridos, voltámos de novo com mais uma tentativa (talvez a última em Portugal), requerendo para este Projecto a atenção dos responsáveis pela Cultura portuguesa: sem qualquer resposta.
        Em suma, temos um Projecto necessitando que se constituam as algumas estruturas indispensáveis, que se estabeleçam as ligações nacionais e europeias, tendo consciência que os resultados financeiros de um investimento, num Projecto deste tipo, podem demorar mais de cinco anos, dependendo da intensidade dos investimentos (e alargamento a instituições de outros países) e da sua divulgação, todavia, quanto a resultados além dos económicos, poderiam considerar-se os ganhos em prestígio e notoriedade dado pela valorização do património histórico e cultural, alcançado pela recuperação e divulgação da nossa memória colectiva como afirmação das línguas, da cultura e identidade dos povos ibéricos, pondo em evidência o enorme manancial de conteúdos ricos e diferenciados que, só na obra de Gil Vicente, permite envolver toda a Europa do século XVI.

        Quanto ao progresso no nosso trabalho, vamos em frente, ainda este ano ou no início do próximo (conforme as nossas economias) publicaremos algumas das análises já concluídas, a par com da sua exposição no Sítio Internet e a distribuição gratuita, para o Brasil, de alguns dos livros em formato PDF.
        Outras vertentes do nosso trabalho estão a ser desenvolvidas, como os guiões para animação em 2D (Animate2), e 3D (Blender-3d.org), estando já criadas algumas das figuras necessárias para boa parte dos autos e realizadas algumas experiências.
Todos os nossos trabalhos são desenvolvidos em suporte digital e são realizados de modo a servirem os diversos meios que as novas tecnologias da informação colocam ao nosso dispor para produzir livros, vídeos (HD), conteúdos Internet, etc..

        Lamentamos ter desagradado a alguns especialistas, mas não podíamos seguir os seus ensinamentos, tivemos mesmo de trabalhar em franca oposição ao saber estabelecido, contrariando grande parte das ideias enraizadas.
        Embora preferíssemos pensar que a maioria dos especialistas portugueses não deram conta das nossas publicações por andarem distraídos com outras tarefas, as exibições de textos de Gil Vicente (História de Deus, Alma) em encenações fantasiosas, acompanhadas pela publicação e exposição de pareceres e comentários dos ainda considerados especialistas, no Teatro Nacional de São João e no Teatro Nacional D. Maria II, entre Dezembro de 2009 e Abril de 2010, veio evidenciar que alguns dos especialistas ainda não conseguiram perceber que a sua visão do mundo, de Gil Vicente e da sua obra dramática, atingiu já o seu crepúsculo em Agosto de 2008 com as nossas publicações nos 500 anos do Auto da Alma.
        A recusa (silêncio) em aceitar os resultados das nossas investigações apenas compromete quem silencia e tenta silenciar-nos. Porque, os considerados (até 2008, ou ainda?) especialistas de referência assim demonstram que, ou estão desatentos à vida cultural, às publicações que se vão fazendo (e entrando na Biblioteca Nacional de Portugal), ou não quiseram ou não souberam ler, ou não têm argumentação, ou estudos, ou saber (pouco sabem de História), ou não têm capacidade para intervir, recusando ou aceitando…, de algum modo intervindo nas nossas interpretações. Ignorando, talvez queiram apenas ser considerados desatentos.
        Se, de outra forma, quiserem argumentar que o nosso trabalho é “ficção” (boa ou má ficção, para o caso pouco interessa), sobre a obra e a época de Gil Vicente, então os tais especialistas estiveram desde logo muito pouco atentos, e perderam a ocasião de em tempo o afirmar. Todavia, se ainda assim, ainda quiserem afirmar que são “ficção” as interpretações que fazemos, cometendo abominável erro, para o caso deste Projecto que desenvolvemos, a questão - “ficção” ou investigação científica séria - é irrelevante, pois este Projecto realiza-se sobretudo no âmbito criativo, das industrias criativas, e portanto, qualquer que seja a posição que venham a tomar sobre estas questões os ainda considerados especialistas, este é um óptimo Projecto, que apresentará sempre, e de algum modo, a leitura e interpretação da obra dramática de Gil Vicente.
       De qualquer modo, qualquer que sejam as decisões, este Projecto será publicado como apêndice no nosso próximo livro.


Faro, Julho de 2009,
Esboço do Projecto actualizado em...
Faro, 21 de Junho de 2011.

Noémio Ramos

Sobre a ausência de apoios

    Apresentamos nesta página o
Projecto Gil Vicente - Europa gilvicente.eu, esgotadas que estão as tentativas de encontrar em Portugal qualquer incentivo,  enquadramento ou apoio por parte das Entidades oficiais ou Fundações, apesar de serem bem conhecidos os apoios do Estado, através da Fundação para a Ciência e Tecnologia FCT, do Instituto Camões IC, da Direcção Geral das Artes MC, etc., e de privados, Fundação Calouste Gulbenkian e outras, para muitas centenas de trabalhos de investigação (de portugueses e estrangeiros) sobre a obra dramática de Gil Vicente.

    Citámos apenas as entidades que sempre e mais têm apoiado, e com significativas participações, muitos projectos de investigação sobre Gil Vicente e as suas obras. As listagens de projectos referidos podem ser pedidas a essas entidades ou constatadas nas publicações resultantes, que fazen parte da enorme bibliografia (alguns milhares de livros) existente sobre Gil Vicente.

     Para a concretização deste nosso Projecto pouco mais seria necessário do que aquilo que são os custos de um, apenas um, das muitas dezenas de "
Centros de Ciência Viva " que abundam pelas centenas de Municípios do país, que pouco mais servem (não têm servido, nem poderão servir, para educação ou formação em ciência) do que de museus de mecanismos de design, ou aparelhos para entretenimento infantil das crianças dos jardins de infância e escolas do primeiro grau, sabendo-se, como se sabe da psicologia, que o desenvolvimento intelectual do Homem, coloca perto dos 12 anos de idade o emergir do pensamento operacional abstracto, com a lógica e as operações reversíveis (INCR), as operações que permitem ao indivíduo uma abordagem científica (moderna) do conhecimento.

     Desta forma tornamos pública a situação, após esgotados os esforços realizados em Portugal, tanto no contacto com responsáveis do sector do Teatro, como da Investigação Científica, tanto como na procura de um enquadramento possível para o desenvolvimento do Projecto.

    A documentação referente a esses esforços constará em anexos de futuras publicações, com o fim de sublinhar o seu registo histórico. Entretanto fica desde já disponível na Internet a partir de 10 de Julho de 2010, o esboço do nosso Projecto.



    Sublinhamos que o autor do Projecto tem exactamente o mesmo grau académico que os professores da Faculdade de Belas Artes da Universidade Clássica, a quem, com o ingresso das Escolas de Belas Artes na Universidade, foi atribuída a equivalência ao doutoramento.
    Ver o curriculum.


    Em Portugal não nascemos todos iguais, os direitos não são iguais para todos, as leis (como ainda hoje os concursos públicos) são feitas à medida de alguns, para se aplicarem a uns e a outros não.

Conheça o Projecto - em PDF -
GrammarNet




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