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      Resolvido o enigma, pudemos verificar que não respeita apenas a Gil Vicente, mas que também se aplica a muitos autores do seu tempo. Não diz apenas respeito ao seu país, mas também a toda a Europa do seu tempo. O enigma de Gil Vicente é um enigma comum na Renascença – como na Reforma e Contra-Reforma – um pensamento agnóstico, pagão, ou mesmo apóstata, um pensamento livre aparentemente enclausurado (pelo Poder Real e Eclesiástico), formulando toda a enorme complexidade filosófica da mente e da sociedade humana, todavia, na aparência ingénuo ou néscio, estulto ou simples para as almas simples.
[p.35-36 ]





Auto do Velho da Horta
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Sepultura de Gil Vicente
epitafio da Copilaçam de 1562
Sepultura de Gil Vicente

O grã juízo esperando,
jazo aqui, nesta morada
também da vida cansada,
descansando.


Pergunta-me quem fui eu,

atenta bem para mi,
porque tal fui, como a ti,
e tal hás de ser como eu.

E pois, tudo a isto vem,

ó leitor de meu conselho
toma-me por teu espelho,
olha-me, e olha-te bem.

 
   
   
O Teatro de Gil Vicente O Teatro
Renascença e Reforma - os líderes políticos e os ideológos - ideologia e História da Europa
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Velho da Horta - Erasmo
        Acreditamos que, como o Preâmbulo, este Epitáfio, também foi escrito por Gil Vicente para ser colocado na Copilaçam, embora, como no caso do preâmbulo, isso não tenha ficado expresso por palavras de Luís Vicente. O sentido dos versos, como o que eles encerram, insere-se no estilo que encontramos em toda a sua obra, e que aqui completam o sentido do preâmbulo para fechar o livro das obras, como que uma chave que é deixada ao leitor para o abrir.
[p.30, Gil Vicente e Platão - Arte e Dialéctica, Íon... de Noémio Ramos]