maios_ovelhas
Os Maios (ou Mayos, em Espanha) são bonecos aprontados como gente, representando figuras de pessoas em tamanho natural, vestidos e calçados com a roupa habitual das pessoas representadas,  nas suas atitudes habituais (normais ou caricaturadas) que se apresentam isolados ou em conjunto, representando cenas do quotidiano (do passado ou actual).

No primeiro dia de Maio de madrugada, essas figuras (quase sempre realizadas durante a noite de 30 de Abril), são colocadas junto das portas, janelas, varandas, jardins, quintais, ruas, largos, etc..
Junto de cada boneco, ou sobre o próprio, estará (ou não) colocada a fala ou o pensamento do sujeito representado, ou um comentário ou narração da cena referindo o momento daquele instantânio retirado ao teatro de uma vida real.

Estas narrativas, ou mesmo o dizer de cada figura, apresentam-se (quase sempre) na forma de versos, enquadrados em estrofes de formato popular.
Os bonecos, as cenas, os dizeres e as narrativas, por vezes bem revestidas de humor, têm muitas vezes um sentido crítico, sob a forma de sátira, ou sarcasmo, em especial quando há motivo para isso na comunidade local, regional, nacional ou mesmo internacional, mas a maioria das vezes são apenas uma celebração saudável do quotidiano.


Colocados na madrugada do primeiro dia de Maio, são retirados ao anoitecer. Estão um dia em exposição, é o dia da festa - celebra-se a Primavera - e, nesta festa, estes Maios convivem bem com o maio florido e a sua deusa Maia.


Podemos ver os Maios (mayos) no dia da festa, ou dia de Maio, o dia primeiro de Maio, ao longo da fronteira (Centro-Sul) Portugal e Espanha, em especial em Espanha, na Extremadura, (San Vicente de Alcantara, Santiago de Alcantara, Valencia de Alcantara, Puebla de Obando, ...), mas nós conhecemo-los sobretudo do Algarve, entre Loulé e Tavira, em especial nos concelhos de Faro (Estói) e de Olhão, (Olhão, Moncarapacho, Quelfes) dos Açores (ilhas Terceira, Graciosa, ...), das Canárias (Santa Cruz de La Palma). Estes mayos aparecem ainda em Murcia, Espanha.

dia da festa - 2009
alguns dos Maios fotografados em Bias (Moncarapacho)

Uma breve descrição de um Maio de crítica ao governo,
a José Sócrates.
        O Maio (em baixo) é uma cena. A acção representa uma patrulha de transito da GNR em carro descaracterizado tendo acabado de apanhar um motoclclista alcoolizado e procedido ao auto.
        Sem censura, este Maio desenvolve-se colocando José Sócrates na figura do agente da GNR, José SoCrava, que acaba de apanhar o Zé Povinho na figura do alcoolizado. Contudo, se fossem tempos de censura, os nomes das personagens e as referências poderiam estar mais desvanecidas.
        Neste Maio o texto é um comentário narrativo da actualidade vivida pelo Zé Povinho, e o saber popular aproxima-se aqui da sabedoria: simples para as mentes mais simples, mas complexo e pleno de questões diversas para as mais atentas; por uma criação figurativa (mesmo popular) se atinge uma verdade, como o autor dos versos sublinha:
Esta é a nossa realidade! / Dita de uma mentira indirecta / mostra bem a verdade / de uma forma tão certa.

        A leitura de cada folha de papel acrescenta mais um pormenor ao instantânio da cena criada pelo autor deste Maio, um anónimo (aqui o homem de costas atrás do Zé Povinho) como todos os outros, nos termos de uma tradição secular... 


maios balairico
dia de Maio
Conhecer os Maios...
Para ver (ler) os Maios em Gil Vicente
Por Noémio Ramos
Em Agosto de 2009.
dia de maio dia de aventura ainda agora era manhã já é noite escura
Gil Vicente O Teatro de Gil Vicente
O Teatro de Gil Vicente
E pera declaração
desta obra santa et cetra...,
quisera dizer quem são
as figuras que virão

por se entender bem a letra.

  ... em  Romagem dos Agravados.
Lendo o Auto da India de Gil Vicente
Ler Erasmo e Gil Vicente

As figuras
nas personagens dos Autos
- os protagonistas -
em Obras


As suas obras dramáticas,
a lista de todos os autos,
em Autos

Datação das obras, dos Autos de Gil Vicente
Gil Vicente, artista da Renascença, reinventor do Teatro


(c) 2008 - Sítio dedicado ao Teatro de Gil Vicente - actualizado com o progresso nas investigações.
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- Livros publicados no âmbito desta investigação, da autoria de Noémio Ramos:

978-989-977499-5 - Gil Vicente, Auto dos Quatro Tempos, Triunfo do Verão - Sagração dos Reis Católicos.
978-989-977498-8 - Gil Vicente, Auto dos Reis Magos, ...(festa) Cavalgada dos Reis.
978-989-977497-1 - Gil Vicente, Auto Pastoril Castelhano, A autobiografia em 1502.
978-989-977496-4 - Gil Vicente, Exortação da Guerra, da Fama ao Inferno.
978-989-977490-2 - Gil Vicente, Tragédia de Liberata, do Templo de Apolo à Divisa de Coimbra.
978-972-990009-9 - Gil Vicente, O Clérigo da Beira, o povo espoliado - em pelota.
978-972-990008-2 - Gil Vicente, Carta de Santarém, 1531 - Sobre o Auto da Índia.
978-972-990007-5 - Gil Vicente, o Velho da Horta, de Sibila Cassandra à "Tragédia da Sepultura".
978-972-990006-8 - Gil Vicente, Auto da Visitação. Sobre as origens.
978-972-990005-1 - Gil Vicente e Platão - Arte e Dialéctica, Íon de Platão.
978-989-977494-0 - Gil Vicente, Auto da Alma, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II... 
(2ª Edição)
978-972-990004-4 - Auto da Alma de Gil Vicente, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II...

- Outras publicações:
978-972-990000-6 - Francês - Português, Dicionário do Tradutor. - Maria José Santos e A. Soares.
978-972-990002-3 - Os Maios de Olhão e o Auto da Lusitânia de Gil Vicente. - Noémio Ramos.



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