Em Portugal as Companhias de Teatro, em geral, são suportadas pelos dinheiros públicos, nacionais (Ministério da Cultura) e municipais (Câmaras Municipais).

             Os financimentos podem ser consultados nos sítios (internet) do Ministério, de diversas Direcções-Gerais, e de muitos outros organismos públicos que contribuem. Depois, há ainda as Fundações (muitas são também de dinheiros públicos), Centros de Cultura, etc..
             Consultando os financiamentos dos últimos anos de algumas dezenas de Companhias, podemos dizer que o Teatro vive muito bem em Portugal.
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Crítica ao "teatro"
        A questão é saber se deve ou não ser esta a via de facto, para um desenvolvimento cultural.

        1 -
Da Arte do Teatro; a) criação; b) encenação; c) representação; etc..
        2 - Da Formação Cultural da população (o público)...
        3 - Do conhecimento e enriquecimento do universo cultural da Nação.
        4 - De divulgação global do universo cultural e linguístico...
        ... etc. ... 

        Quais os resultados destes investimentos?
        Que público se obteve?
        (público pagante, não os bilhetes oferecidos pelos envolvidos).
        Qual o enriquecimento no Universo Cultural e linguístico?
        Que divulgação e que retornos houve?

         Mas há que distinguir Teatro e Rapsódia
           A diferença entre Teatro e Rapsódia é abismal...

         Quanto aos rapsodos, e à sua actividade, caracterizavam-se (e não se caracterizarão ainda?) em geral, como incapazes de interpretar o sentido dos versos, e menos ainda o seu carácter figura­tivo. Uma passagem do Banquete, de Xenofonte, é bastante significativa:

          Meu pai, respondeu Nikératos, esforçava-se para que eu me transformasse num homem de bem, e obrigou-me a aprender pelos versos de Homero. Assim, hoje, posso recitar de cor, do princípio ao fim, todos os versos de Homero.
       - Ignoras tu, disse Antístenes, que também os rapsodos sabem de cor esses ver­sos?
       - Como poderia ignorar, eu, que sou um ouvinte quase diário deles? Tu conheces alguma raça mais tola (idiota, grego) do que a dos rapsodos?
       - Não, por Zeus, respondeu Nikératos, de facto não.
       - De facto, torna-se claro, disse Sócrates, que eles não conhecem o sentido oculto dos versos, a hiponóia.


(Xénophon, Banquet, Paris, Les Belles Letres, 1972. III, 6 - p. 49)


        Em Íon de Platão:

         A patetice de Íon está evidenciada nesta sua intervenção no diálogo:
         ... acredito dizer melhor a respeito de Homero que (…) nenhum outro dos que existiram até hoje, e nem Metrodoro de Lâmpsaco, nem Estesímbroto de Tasos, nem Glauco, foram capazes de dizer tanto nem exprimir pensamentos tão belos.

         O rapsodo compara-se aos famosos intérpretes que se seguiram a Anaxágoras, como leitores da hiponóia, isto é, do sentido e pensamentos no mythos das obras de Homero. Ele equipa­ra-se aos verdadeiros analistas do sentido e conteúdo da obra poética, o que, para além de denotar a sua enorme e alheada ignorância, manifesta a sua completa idiotice, juntando a falta de consciência no que diz à sua incapacidade de leitura de uma obra poética.

          Como qualquer iconoclasta, ao fragmentar a obra poética está destruindo o seu mythos e, sem ele, a obra poética deixa de ser Teatro para passar a ser apenas espectáculo... Não de teatro, mas espectáculo de coribantes, ou de dicção (ou declamação de versos, cujo significado poderá estar apenas nas palavras), coreografia e expressão corporal e emocional. Uma forma de expressão vivencial de actores coreografada pelo encenador, como qualquer ion


          Porque é que as Companhias de Teatro estarão a preferir as Rapsódias (como Íon) em vez de peças de Teatro?...


Ion de Plato
 
   
   
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