Critica Breve Sumario da Historia de Deus
   Sobre o uso indevido de textos de referência,
                o Breve Sumário da História de Deus no TNSJ,
              

       A insensibilidade e falta de observação, de análise e de estudo, a ignorância e défice cultural, a iliterícia de alguns (doutores), promovidos a elites da cultura portuguesa - em palco, que não apenas o do teatro - com o “devido” apoio e promoção do Ministério da Cultura de Portugal, apresentam um arremedo, ou talvez classificando melhor, uma réplica simplória, do Breve Sumário da História de Deus, usando o texto de Gil Vicente, no Teatro Nacional de São João no Porto (Dezembro de 2009) e no Teatro Nacional D. Maria II em Lisboa (Janeiro de 2010).

       O simples facto de se anunciar que se está ali a encenar e representar uma peça de Gil Vicente constitui um insulto que se está a fazer ao autor e à cultura portuguesa. O texto da peça surge apresentado pelo encenador (e pelo elenco em geral) apenas pela leitura do parvo (Floresta de Enganos), e posto em cena pela sua própria estultícia, simples para as almas simples De tal modo o texto da peça foi tratado pelo encenador - que nunca o terá entendido - que não permite ao espectador dar conta do filósofo naquelas falas do parvo, que ora toma o lugar de uma personagem ora de outra, fazendo do espectador o público mais simplório.  
       Para apresentar ao público a encenação de uma peça tão complexa como o Breve Sumário da História de Deus, como depois o Diálogo de uns judeus sobre a Ressurreição, que a complementa, devem seguir-se as orientações que o seu autor nos deixou para serem sempre seguidas.

    
  E em peças tão nobres (como afinal são quase todas), é de extrema importância que se sigam as normas e regras de Gil Vicente, sem o que uma obra fica incompleta, perde o seu sentido mais profundo, quebrando-se a união semiótica dos seus elementos, perdendo-se todo o conteúdo da obra.
      Ano e meio (18 meses) depois da publicação de Auto da Alma, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II, e de Gil Vicente e Platão, Arte e Dialéctica, Íon de Platão, seria de esperar que as pretensas elites da cultura portuguesa tivessem assimilado algo mais profundo da obra de Gil Vicente, a qual tivemos ocasião de expor em linhas gerais, todavia parece-nos que ainda vão ser necessários mais dez a quinze anos (o que já se torna habitual) até alguém ver (ler) e compreender aquilo que ficou exposto naquelas análises que elaborámos.

       Não vamos agora aqui apresentar o Breve Sumário da História de Deus, não somos nós que afirmamos estar a levar ao público essa obra-prima do teatro de Gil Vicente, ainda não preparámos a nossa análise para publicação, mas já nos referimos a uma boa parte do que Gil Vicente colocou na acção dramática desta peça numa daquelas obras que publicámos.


Faro, 12 de Dezembro de 2009.
Noémio Ramos




Crítica de Teatro
Sobre um texto de Gil Vicente.

Breve Sumário da Hitória de Deus
Direcção de Nuno Carinhas

  ...em exibição em Dez. 2009 - Jan 2010
Teatro Nacional de São João, Porto
Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa

(Entidades Nacionais suportadas por)
  (Ministério da Cultura de Portugal)